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sexta-feira, 29 de abril de 2016



A celebração do Dia do Trabalho ou do Trabalhador convida-nos a refletir sobre a dignidade do trabalho humano. O trabalho é uma dimensão fundamental da existência que apresenta duas dimensões: objetiva e subjetiva.
Em sentido objetivo, o trabalho é o conjunto de atividades, recursos, instrumentos e técnicas de que o homem se serve para produzir. Além disso, o trabalho no sentido objetivo constitui o aspecto contingente da atividade do homem, que varia incessantemente nas suas modalidades com o mudar das condições técnicas, culturais, sociais e políticas.
O trabalho em sentido subjetivo é o agir do homem enquanto ser dinâmico, capaz de levar a cabo várias ações que pertencem ao processo do trabalho. O homem é um ser dotado de subjetividade, capaz de agir de maneira programada e racional, capaz de decidir por si mesmo e com a tendência de realizar-se a si mesmo. O sentido subjetivo é a dimensão estável do trabalhador, porque não depende do que o homem realiza concretamente nem do gênero de atividade que exerce, mas só e exclusivamente da sua dignidade de ser pessoa.
A dimensão subjetiva confere ao trabalho a sua peculiar dignidade, que impede de considerá-lo como uma simples mercadoria ou elemento impessoal da organização produtiva. O trabalho, independentemente do seu menor ou maior valor objetivo, é expressão essencial da pessoa, é um ato pessoal. Cada trabalhador deixa na atividade realizada a sua marca pessoal. Qualquer forma de materialismo e de economicismo que tente reduzir o trabalhador a mero instrumento de produção, a simples força de trabalho, a valor exclusivamente material, acabaria por desnaturar irremediavelmente a essência do trabalho, privando-o da sua finalidade mais nobre e profundamente humana.
A dimensão subjetiva do trabalho deve ter a preeminência sobre a objetiva. Se faltar esta consciência ou se não se quiser reconhecer esta verdade, o trabalho perde o seu significado mais verdadeiro e profundo. Se a dimensão objetiva fica mais importante que a subjetiva, as técnicas utilizadas, os instrumentos e os produtos se tornam mais importantes do que o trabalhador. A dignidade do trabalho se fundamenta na dignidade de quem o realiza, isto é, na pessoa humana.


Por Dom Rodolfo Luis Weber – Arcebispo de Passo Fundo


Fonte: Noticias Católicas

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quinta-feira, 28 de abril de 2016


A carta do papa Francisco às famílias,Amoris laetitia, é um belo itinerário para viver a alegria do amor no lar de das famílias do mundo inteiro. O próprio papa faz um resumo: “No desenvolvimento do texto, começarei por uma abertura inspirada na Sagrada Escritura, que lhe dê o tom adequado. A partir disso, considerarei a situação atual das famílias, para manter os pés no chão. Depois lembrarei alguns elementos essenciais da doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família, seguindo-se os dois capítulos centrais, dedicados ao amor. Em seguida destacarei alguns caminhos pastorais que nos levem a construir famílias sólidas e fecundas segundo o plano de Deus, e dedicarei um capítulo à educação dos filhos. Depois deter-me-ei em um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral perante situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor nos propõe; e, finalmente, traçarei breves linhas de espiritualidade familiar” (n. 6).
Francisco recorda que a Sagrada Escritura está repleta de histórias de famílias com suas alegrias, belezas e dificuldades, sem que essa instituição perca o seu brilho. A expressão “Tu e tua esposa”, ou seja, o homem e a mulher, terem seus filhos e filhas como brotos de oliveira ao redor de tua mesa (cf. Sl 128/127,3); as primeiras comunidades cristãs se reúnem em casas, local da convivência familiar por excelência. Na família que ocorrem também experiências dolorosas de brigas, doenças e mortes, mas, no fim dos tempos, Deus enxugará nossas lágrimas e não haverá mais morte ou dor (cf. Ap 21,4). No ambiente familiar com suas cruzes, é superado pelo esforço diário do convivo material e espiritual, do trabalho e do carinho de um abraço, compromisso de todos.
A essência do Matrimônio está em “aperfeiçoar o amor dos cônjuges”, para isso são apresentadas alguns pontos essenciais extraídos da Carta de Paulo aos Coríntios (13,4-7): paciência, atitude de serviço, cura da inveja, combater o orgulho e a arrogância, ser amável, desprender-se de si mesmo, não guardar violência interior, perdoar, alegrar-se com os outros; desculpar-se, confiar, esperar, suportar-se, bem como crescer na caridade conjugal tendo tudo em comum, valorizando a alegria e a beleza da vida a dois que leva a se casar por um amor que se manifesta e cresce a cada dia, dialoga, se apaixona, navega pelas fantasias lícitas, sente alegria nos filhos, vive a dimensão erótica do amor conjugal, combate a violência e a manipulação e não menospreza, ao lado do casamento santo, a vida una e indivisa da virgindade e do celibato nem deixa que o amor se transforme com o passar dos anos em que as aparências físicas não são as mesmas: o amor não cria rugas como o corpo.
Diz o papa: “Se uma criança chega ao mundo em circunstâncias não desejadas, os pais ou os outros membros da família devem fazer todo o possível para aceitá-la como dom de Deus e assumir a responsabilidade de acolhê-la com carinho”. A Igreja louva as famílias numerosas, mas pede responsabilidade na geração dos filhos a fim de que não se coloque no mundo uma criança que passará graves necessidades. Pede ainda a valorização da gravidez com o amor da mãe e do pai àquela criança, bem como exorta ao que se chama de “paternidade alargada”, ou seja, ser pai ou mãe não é apenas um fato biológico, mas do coração. Daí, as adoções, o cuidado com os abandonados e frágeis. A vida familiar bem vivida é caminho de santificação, na oração comum e diária, ainda que breve, entre os cônjuges e com os filhos, resplenderá a luz do Cristo ressuscitado. O ponto alto da oração na vida matrimonial é a Eucaristia.
Que Deus abençoe todas as famílias. Vamos viver o amor nas nossas famílias e gerar alegria para toda a sociedade.
Por Dom Anuar Battisti – Arcebispo de Maringá-PR
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quinta-feira, 21 de abril de 2016



A nossa era está profundamente marcada por um processo de personalização, quando o indivíduo se torna o centro de tudo, o sujeito de direitos, decisões e ações; e, diante do mundo e dos outros, sua indiferença é preponderante. A emergência da subjetividade e o pluralismo são as características mais visíveis neste momento. Não vivemos mais num mundo, no qual as definições religiosas são aceitas por todos como verdades absolutas. Nesta nova cultura prevalece a autonomia do imanente que dispensa uma legitimação e inteligibilidade abrangente do universo. Esta realidade, chamada por Peter Berger em sua obra, O Dossel Sagrado de “crise de credibilidade”, é, segundo ele, um dos sinais da secularização mais perceptíveis pelo homem comum. No entanto, essa cultura não pode ser definida como ateia, afirmando que Deus esteja ausente.
Hoje, mais do que nunca, tem-se falado muito sobre Deus. Fala-se sobre Deus nos rádios, jornais e televisões, nas universidades, nas Igrejas e nos botequins. Foi o termo mais usado na sessão da Câmara de Deputados em que se pediu o afastamento da Presidente da República. “Que Deus tenha misericórdia desta nação, voto sim”, pronunciou o deputado cristão Eduardo Cunha em sessão transmitida para o Brasil e para o mundo. Em nome da família, em nome da igreja e em nome de Deus. Foi o que mais se ouviu.
O que nos referimos quando falamos Deus? Qual a definição deste termo tão usado por pessoas e grupos tão diversos e completamente diferentes uns dos outros. São homens e mulheres, latifundiários e sem terra. É o mesmo termo usado tanto pelo grande empresário, cada vez mais rico, quanto pela catadora de material reciclável; tanto pelo banqueiro, quanto por uma jovem mãe inscrita no programa bolsa família. No entanto, sabemos que apesar de todos usarem o mesmo termo, as imagens de Deus que cada um tem são bastante diferentes. Daí que, nem sempre, a imagem de Deus apresentada, pregada e ensinada em tantos lugares é relevante e significativa para os homens e mulheres do nosso tempo. O Deus de que tanto se fala, muitas vezes, não corresponde ao Deus de amor e solidariedade que ouviu o clamor do seu povo e desceu para libertá-lo, que é presença constante na história de sua gente, o Pai de amor e misericórdia que Jesus nos revelou.
Não há dúvida que falar de Deus é uma tarefa difícil, sobretudo quando esse falar não quer ser apenas repetições de idéias e verdades absolutas, mas, na realidade, algo que seja pertinente, que toque a vida das pessoas, que seja relevante, sem que, com isso, se negligencie, se perca aquilo que lhe é próprio e específico, a sua identidade cristã. É preciso interpretar de maneira integral e significativa a profissão de fé que recebemos desde os primórdios. Não podemos nos omitir em afirmar que Jesus é o Cristo, levando em conta não só Sua paixão e morte, mas toda Sua vida e, sobretudo, Sua ressurreição.
Por Dom Zanoni Demettino Castro – Arcebispo de Feira de Santana (BA)
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