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domingo, 15 de maio de 2016


Solenidade de Pentecostes

Papa Francisco

Praça de São Pedro

Domingo,

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Celebramos hoje a grande festa de Pentecostes, que finaliza a época da Páscoa, cinquenta dias após a ressurreição de Cristo. A liturgia convida-nos a abrir nossas mentes e os nossos corações aos dons do Espírito Santo, que Jesus prometeu várias vezes aos seus discípulos, o primeiro e principal dom que ele ganhou por nós com sua Ressurreição. Esse dom, o próprio Jesus orou ao Pai, como evidenciado pelo Evangelho de hoje, que ocorre durante a Última Ceia. Jesus diz aos seus discípulos: "Se me amardes, guardareis os meus mandamentos; e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito para estar com vocês para sempre "(Jo 14,15-16).

Estas palavras nos fazem lembrar, antes de tudo que o amor de uma pessoa, e também para o Senhor, não se prova com palavras, mas com ações; e também "guardam os mandamentos" deve ser entendido num sentido existencial, de modo que ele está envolvido em toda a sua vida. Na verdade, não necessariamente para ser um cristão significa pertencer a uma determinada cultura ou aderir a uma certa doutrina, mas sim para amarrar sua própria vida, em todos os seus aspectos, à pessoa de Jesus e, através dele, ao Pai. Para este fim, Jesus promete a efusão do Espírito Santo aos seus discípulos. Graças ao Espírito Santo, o amor que une o Pai e do Filho e prossegue a partir deles, todos nós podemos viver a mesma vida de Jesus. O Espírito, de fato, nos ensina todas as coisas, essa é a única coisa necessária: A amar como Deus ama.

E prometendo o Espírito Santo, Jesus o chama de "outro Paráclito" (v. 16), o que significa Consolador, Advogado, Intercessor, isto é, aquele que nos ajuda, nos protege, está do nosso lado na jornada da vida e na luta pela bem e contra o mal. Jesus diz que "outro Paráclito" porque o primeira é, ele próprio, que foi feito justamente para tomar sobre si a nossa condição humana e libertá-lo da escravidão do pecado.

Além disso, o Espírito Santo exerce uma função de ensino e de memória. Aprendizagem e memória. Disse Jesus: "O Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse" (v 26).. O Espírito Santo não trará um ensino diferente, mas faz viver, faz operar o ensinamento de Jesus, porque a passagem do tempo não apaga ou desaparece. O Espírito Santo enxerta este ensino em nosso coração, nos ajuda a internalizá-lo, tornando parte de nós, carne da nossa carne. Ao mesmo tempo, preparar os nossos corações porque para ser realmente capaz de obter as palavras e exemplos do Senhor. Toda vez que a palavra de Jesus é recebida com alegria no coração, esta é a obra do Espírito Santo.

Vamos agora rezar juntos o Regina Coeli - pela última vez este ano -, invocando a intercessão materna da Virgem Maria. Que ela nos de a graça de ser fortemente animado pelo Espírito Santo, para dar testemunho de Cristo com firmeza evangélica e abrir-nos cada vez mais à plenitude do seu amor.

Depois do Regina Coeli:

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, muito apropriado no contexto de Pentecostes, será a minha Mensagem para o Dia Mundial das Missões, que se celebra todos os anos em outubro. O Espírito Santo dará força a todos os missionários a apoiar a missão da Igreja em todo o mundo. E o Espírito Santo dará aos jovens - rapazes e moças- força, que querem ir para pregar o Evangelho. Pedimos, hoje, o Espírito Santo.

Saúdo todos vós, famílias, grupos de igreja, as associações, os peregrinos da Itália e de várias partes do mundo, especialmente de Madrid, Praga e Tailândia; bem como os membros da comunidade católica em Londres coreano.

Saúdo os fiéis de Casalbuttano, Cortona, Terni, Ragusa; os meninos de Massa Romagnano; e "Sacred Choral Jonica" da província de Taranto.

Saúdo de modo especial todos aqueles envolvidos no dia de hoje no "Festival das Nações", no 25º aniversário, em São João de Latrão. Esta festa, um sinal de unidade e diversidade de culturas, ajuda-nos a entender que o caminho para a paz é esta: criar a unidade, respeitando a diversidade.

Dirijo um pensamento especial ao Alpini, reunidos em Asti para o Encontro Nacional. Exorto-os a ser testemunhas da misericórdia e esperança, seguindo o exemplo do Beato Don Carlo Gnocchi, do Beato Irmão Luigi Bordino e venerável Teresio Sallowthorns, que honrou o Corpo de Alpini pela santidade de suas vidas.

E eu desejo a todos uma festa de Pentecostes feliz. Por favor, não se esqueça de orar por mim. Bom almoço e adeus!

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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Quarta-feira, 13 de abril
 Largos milhares de fiéis saudaram o Santo Padre e ouviram a sua catequese sobre a necessidade de misericórdia e não de sacrifícios.
Partindo da passagem do Evangelho que nos conta a vocação de Mateus, Francisco considerou ser essa uma grande lição que nos recorda que a Igreja não é uma comunidade de seres perfeitos, mas de discípulos que seguem o Senhor porque se reconhecem pecadores e necessitados do seu perdão. “Porque todos somos pecadores” – disse o Santo Padre recordando mesmo uma expressão significativa: “Não há santo sem passado e não há pecador sem futuro”.
Mateus era um publicano, coletor de impostos, considerado um pecador público. Ao chamá-lo, Jesus mostra aos pecadores que não olha para o seu passado, condição social ou convencionalismos exteriores. “Ele não quer uma religiosidade de fachada” – lembrou o Papa – uma religiosidade como a dos fariseus, e lembra-lhes que Deus quer a misericórdia e não o sacrifício.
O Santo Padre afirmou ainda que Jesus oferece um futuro novo a quem aceita o seu convite com um coração humilde e sincero. Um futuro no qual nos sentamos na sua mesa: a mesa da Palavra e da Eucaristia onde Ele nos nutre com o seu corpo e renova a graça do Batismo.
Porque “todos somos discípulos que têm necessidade de experimentar e viver a palavra consoladora de Jesus. Todos temos necessidade de nutrirmo-nos da misericórdia de Deus, porque é dessa fonte que brota a nossa salvação” – disse o Papa no final da sua catequese.
O Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portiguesa:
“De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os brasileiros de Uberaba e Uruaçu. Queridos amigos, abandonemos a presunção de nos crermos mais justos e melhores do que os outros; ao contrário, reconheçamos que somos todos discípulos e pecadores necessitados de ser tocados pela misericórdia de Deus. Sobre vós e sobre vossas comunidades, desça a benção do Senhor!”
No final da audiência o Papa Francisco convidou os fiéis a rezarem pela sua visita aos refugiados na ilha grega de Lesbos no próximo sábado dia 16 de abril:
“No próximo sábado irei à Ilha de Lesbos, onde nos passados meses transitaram muitíssimos refugiados. Irei juntamente com os meus irmãos o Patriarca de Constantinopla Bartolomeu e o Arcebispo de Atenas e de toda a Grécia Hieronymos, para exprimir proximidade e solidariedade seja aos refugiados seja aos cidadãos de Lesbos e a todo o povo grego, tão generoso no acolhimento. Peço, por favor, que me acompanhem com a oração, invocando a luz e a força do Espírito Santo e a materna intercessão da Virgem Maria.”
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segunda-feira, 11 de abril de 2016




Praça de São Pedro
Domingo, 10 de abril, 2016


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje fala da terceira aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos na margem do lago da Galileia, com a descrição da pesca milagrosa (cf. Jo 21,1-19). A história é colocada no quadro da vida cotidiana dos discípulos que voltaram à sua terra e à sua profissão de pescador, depois dos dias da alucinante paixão, morte e ressurreição do Senhor. Era difícil para eles entender o que tinha acontecido. Mas quando tudo parecia acabado, foi Jesus que "procurou"mais uma vez os seus discípulos. E "Desta vez, ele se encontrou com eles no lago, onde passaram a noite nos barcos sem pegar nada. redes vazias parecem, em certo sentido, como as demonstrações financeiras de sua experiência com Jesus: o haviam conhecido, tinha deixado tudo para segui-lo, cheio de esperança ... e agora? Sim, eu tinha visto o ressuscitado, mas então pensou: "Ele foi embora e deixou-nos ... É foi como um sonho ...".

Mas aqui na madrugada Jesus vem na margem do lago; Mas eles não o reconhecem (cf. v. 4). Para aqueles pescadores, cansados ​​e decepcionados, o Senhor diz: "Lançai a rede para o lado direito do barco e você encontrará" (v. 6). Os discípulos confiaram em Jesus e resultado foi uma pesca incrivelmente abundante. Neste ponto, João se vira para Pedro e diz: "É o Senhor" (v. 7). E agora Pedro mergulha na água e nada em direção à costa, em direção a Jesus, nesta exclamação: ".! É o Senhor", há toda a emoção da fé pascal, cheio de alegria e espanto, o que contrasta com confusão, desespero, um sentimento de impotência que tinha acumulado nas mentes dos discípulos. A presença de Jesus ressuscitado transforma tudo: a escuridão é superada pela luz, trabalho desnecessário novamente torna-se fecunda e promissor, a sensação de fadiga e negligência dá lugar a um novo impulso e a certeza de que Ele está conosco.

Desde então, esses mesmos sentimentos animam a Igreja, a Comunidade do Ressuscitado. Nós somos todas as comunidades do Ressuscitado! Se, à primeira vista, pode parecer às vezes que as trevas do mal e fadiga da vida diária têm a vantagem, a Igreja sabe com certeza que aqueles que seguem o Senhor Jesus brilha agora atemporal à luz da Páscoa. A grande mensagem da Ressurreição enche os corações dos crentes uma profunda alegria e uma esperança invencível. Cristo ressuscitou verdadeiramente! Também hoje a Igreja continua a ressoar este anúncio festivo: a alegria ea esperança continuam a fluir para o coração, os rostos, gestos e palavras. Todos os cristãos são chamados a comunicar esta mensagem de ressurreição para aqueles que encontramos, especialmente para aqueles que sofrem, aos que estão sozinhos, que está em condições precárias, os enfermos, os refugiados, os marginalizados. Todos nós temos um raio de luz de Cristo ressuscitado, um sinal de seu poder misericordioso.

Ele, o Senhor, também renove em nós a fé pascal. Faça-nos cada vez mais conscientes da nossa missão ao serviço do Evangelho e dos irmãos; Ele nos enche com o Seu Espírito Santo porque, apoiado pela intercessão de Maria, com toda a Igreja possamos proclamar a grandeza do seu amor e da riqueza da sua misericórdia.

Depois do Regina Coeli:

Queridos irmãos e irmãs,

na esperança que nos foi dada por Cristo ressuscitado, renovo o meu apelo para a libertação de todos os reféns em zonas de conflito armado; Em particular, eu gostaria de recordar o padre salesiano Tom Uzhunnalil, sequestrado em Aden, no Iêmen em 4 de março.

Hoje na Itália se celebra o Dia Nacional da Universidade Católica do Sagrado Coração, cujo tema é "Na Itália de amanhã eu vou estar lá." Espero que esta grande universidade, que continua a fazer um serviço importante para a juventude italiana, vai continuar com renovado compromisso com a sua missão educativa, atualizá-lo cada vez mais para as necessidades de hoje.

Saúdo todos vós, romanos e peregrinos de Itália e outras partes do mundo. E até mesmo uma saudação para aqueles que estão fazendo a maratona. Em particular, saúdo os fiéis da Gandosso, Teodoro, Mede Lomellina, Cernobbio, Macerata Campania, Porto Azzurro, Maleo e Sasso Marconi, com um pensamento especial para os candidatos de Campobasso, Marzocca e Montignano.

Agradeço-lhes por seus coros paroquiais presença, alguns dos quais têm servido nestes dias na Basílica de São Pedro. Muito obrigado!

E eu desejo a todos um bom domingo. Por favor, não se esqueça de orar por mim. Bom almoço e adeus!

fonte:Site do vaticano
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Como habitualmente, também nas palavras proferidas antes da oração do Regina Coeli juntamente com os fieis reunidos, este domingo, na Praça de São Pedro, o Papa Francisco teceu algumas considerações acerca do Evangelho deste domingo, III da Páscoa.
Um texto em que o Apóstolo João é um importante protagonista. É ele que reconhece o Jesus nas margens do Lago da Galileia, onde Jeuss vai à procura deles, e onde acontece a pesca milagrosa.
Com efeito - explicou o Papa - depois do período passado com Jesus nos importantes momentos da seu percurso: paixão, morte, ressurreição, os discípulos voltam, como que um pouco desiludidos à sua faina de pescadores. E passam uma noite no lago sem pescar nada. Jesus apresentam-se então a eles, mas não o reconhecem. No entanto obedecem à sua sugestão de lançar as redes à direita do barco. Resultado; uma pesca incrivelmente abundante. E eis então que João diz a Pedro: “É o Senhor!” Pedro atirou-se imediatamente à água e foi ter com Jesus na margem do Lago. Naquela exclamação “É o Senhor!” – disse o Papa – está o entusiasmo da fé pascal:
“Naquela exclamação “è o Senhor!”, está todo o entusiasmo da fé pascal, cheia de alegria e estupor, que contrasta fortemente com a confusão, o desconforto, o sentido de impotência que se tinham acumulado no ânimo dos discípulos”.
Aquela rede vazia era, na interpretação do Papa, como que o balanço da experiencia dos discípulos com Jesus: “tinham-no conhecido, tinham abandonado tudo para o seguir, cheios de esperança …. E agora?”.  Mas aquela aparição de Cristo ressuscitado no Lago da Galileia e o milagre da pesca, muda de novo tudo para eles, para os cristãos.
“A presença de Jesus ressuscitado transforma tudo: a escuridão é vencida pela luz, o trabalho inútil torna-se novamente frutuoso e prometedor, o sentido de cansaço e de abandono dá lugar a um novo elã e à certeza de que ele está connosco”.
Estes sentimentos animam desde então a Igreja, a Comunidade do Ressuscitado – frisou Francisco. Às vezes pode parecer que o mal, as trevas, o cansaço prevaleça, mas “a Igreja tem a certeza de que sobre aqueles que seguem o Senhor Jesus, resplandece a luz da Páscoa que jamais se esconde”. A certeza de que Cristo ressuscitou realmente, infunde nos corações dos crentes uma “íntima alegria e uma esperança invencíveis” . E a Igreja continua a fazer ressoar este festivo anuncio, e todos somos chamados a comunica-lo, disse:
“Todos nós cristãos somos chamados a comunicar esta mensagem de ressurreição àqueles que encontramos, especialmente a quem sofre, a quem está só, a quem se encontra em condições precárias, aos doentes, aos refugiados, aos marginalizados. A todos, façamos chegar um raio da luz de Cristo ressuscitado, um sinal da sua potência misericordiosa”.
E o Papa concluiu pedindo ao Senhor para que renove também em nós a fé pascal e nos torne conscientes da nossa missão ao serviço do Evangelho e dos irmãos. Que Nossa Senhora interceda em nosso favor e de toda a Igreja para que possamos proclamar a grandeza do amor de Cristo e da sua misericórdia.
Depois da oração do Regina Coeli, o Papa  lançou um novo apelo a favor da libertação de todas as pessoas sequestradas  em zonas de conflito armado e recordou, de modo particular, o padre salesiano, Tom Uzhunnalil, raptado em Aden, no Yemen, a 4 de Março passado.
O antes de saudar diversos grupos italianos presentes na Praça de São Pedro, os que estavam a fazer a Maratona em Roma,  e de se despedir, desejando a todos um Bom Domingo e pedindo,  como sempre,  orações para ele, o Papa recordou ainda que neste domingo se celebra em Itália o Dia Nacional para a Universidade Católica do Sagrado Coração, sob o tema “Na Itália do Amanhã eu estarei”. E exprimiu o desejo de que esta grande Universidade que continua a prestar um importante serviço à juventude italiana, possa continuar, com renovado empenho, a sua missão formativa, actualizando-a cada vez mais às exigências de hoje.  
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quarta-feira, 30 de março de 2016


PAPA FRANCISCO

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 30 de Março de 2016

12. A Misericórdia cancela o pecado

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Terminamos hoje a catequese sobre a misericórdia no Antigo Testamento, e faremos isso através da meditação sobre o Salmo 51, chamado Miserere. Esta é uma oração penitencial na qual o perdão é precedido pela confissão de culpa e no qual o orante, deixa-se purificar pelo amor do Senhor, torna-se uma nova criatura, capacitado de obediência, de firmeza de espírito, e de uma oração sincera.

O "título" que a antiga tradição hebraica tem colocado neste Salmo se refere ao Rei Davi e seu pecado com Betsabea, esposa de Urias, o hitita. Nós conhecemos bem a história do Rei Davi, chamado por Deus a pastorear o povo e guia-lo a seu caminho de obediência à lei divina, trai a própria missão e, depois de ter cometido adultério com Betsabea, faz com que seu marido seja morto. Grave Pecado! O profeta Nathan lhe revela sua culpa e o ajuda a reconhecê-la. É o momento de reconciliação com Deus, na confissão de seus pecados. E aqui David foi o grande humilde!

Quem reza com este Salmo é convidado a ter o mesmo sentimento de penitencia e de fé em Deus que teve Davi quando voltou atrás e, embora fosse um rei, se humilhou sem ter medo de confessar a culpa e mostrar sua miséria ao Senhor convicto porem da certeza da Sua misericórdia. E não foi apenas uma vergonha, uma pequena mentira, aquilo que tinha feito: cometeu um adultério e um assassinato!

O Salmo começa com estas palavras de súplica:
"Tem misericórdia de mim, ó Deus, por seu amor;
Na sua grande misericórdia
cancela a minha iniquidade.
Lava-me de toda a minha culpa,
do meu pecado torna-me puro "(vv. 3-4).

A invocação é dirigida ao Deus de misericórdia que movido de um grande amor como de um pai ou uma mãe, que tem piedade, ou seja mostre o seu rosto, mostre favor com bondade e compreensão. É um apelo sincero a Deus, o único que pode libertar do pecado. São usadas imagens muito plásticas: apagai, lava-me, faz-me puro. Manifestos, nesta oração, a verdadeira necessidade do homem: a única coisa que realmente precisamos em nossas vidas é sermos perdoados, libertados do mal e da sua consequência de morte. Infelizmente, a vida nos faz experimentar muitas vezes estas situações, Em primeiro lugar, devemos confiar nessa misericórdia. Deus é maior que o nosso pecado. Não se esqueça: Deus é maior que o nosso pecado! "Pai, eu nem o que sei dizer, eu cometi grandes erros!". Deus é maior que todos os pecados que nós podemos fazer. Deus é maior que o nosso pecado. Vamos dizer juntos? Todos juntos: "Deus é maior que o nosso pecado." Outra vez: "Deus é maior que o nosso pecado." De novo: "Deus é maior que o nosso pecado." E o seu amor é um oceano em que nós mergulhamos sem medo de nos afogar: perdoar para Deus significa dar-nos a certeza de que Ele nunca nos abandonará. Qualquer coisa que possamos nos culpar, Ele é e sempre será maior que tudo (cf. 1 Jo 3:20), porque Deus é maior que o nosso pecado.

Neste sentido, aquele que reza com esse salmo procura o perdão, confessando sua culpa, mas reconhecendo que celebra a justiça e santidade de Deus. E então pede graça e misericórdia. O salmista confia na bondade de Deus, sabendo que o perdão de Deus é imensamente mais eficaz porque ele acreditava na sua palavra. Ele não esconde o pecado, mas o destrói, o excluí, mas o excluí desdá raiz, não como eles fazem na tinturaria quando trazemos um terno e apagam uma mancha. Não! Deus apaga o nosso pecado desde da raiz, tudo! Então, o penitente novamente puro, toda a mancha é eliminada e ele é agora mais branco do que a neve intocada. Todos nós somos pecadores. Isso é verdade? Se algum de vocês não se sente pecador levante a mão ... Ninguém! todos nós somos.

Nós, pecadores, com o perdão, tornamo-nos novas criaturas, preenchidas pelo espírito e cheias de alegria. Agora começa uma nova realidade para nós: um novo coração, um novo espírito, uma nova vida. Nós, pecadores perdoados, recebemos a graça de Deus, podemos até ensinar os outros a não mais pecar. "Mas Pai, eu sou fraco, eu caio, eu caio". "Mas se você cair, levante-se! Levante-se! ". Quando uma criança cai, o que faz? ele Levanta a mão à mãe, ao pai, para que o faça levantar. Façamos o mesmo! Se você cair por fraqueza no pecado, levante a sua mão: o Senhor vai segura-la e te ajudará a levantar-se. Esta é a dignidade do perdão de Deus! A dignidade que nos dá o perdão de Deus é levantar-se, sempre nos colocar de pé, porque Ele criou o homem e a mulher para estarem de pé.

O salmista diz:
"Cria em mim, ó Deus, um coração puro,
renova em mim um espírito inabalável.
[...]
Ensinarei vosso caminho aos rebeldes
E os pecadores para ti retornarão "(vv. 12:15).

Queridos irmãos e irmãs, o perdão de Deus é o que todos nós precisamos, e é o maior sinal da sua misericórdia. Um presente que todo pecador perdoado é chamado para compartilhar com cada irmão e irmã que encontra. Todos aqueles a quem o Senhor colocou ao nosso lado os familiares, os amigos, os colegas, os paroquianos ... todos eles são, como nós, necessitados da misericórdia de Deus. É belo ser perdoado, mas você também, se você quer ser perdoado, perdoa os que estão a sua volta. Perdoe! Que o Senhor nos conceda, pela intercessão de Maria, Mãe de Misericórdia, sermos testemunhas do seu perdão, que purifica o coração e transforma vidas. Obrigado.

Saudação aos peregrinos de língua portuguesa:

De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os jovens vindos de Portugal e do Brasil. Neste Ano Santo da Misericórdia, somos chamados a reconhecer que necessitamos do perdão que Deus nos oferece gratuitamente, pois quando somos humildes, o Senhor nos torna mais fortes e alegres na nossa fé cristã. Desça, generosa, pela intercessão da Virgem Maria, a Bênção de Deus sobre cada um de vós e vossas famílias. Obrigado!



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domingo, 7 de setembro de 2014

Antes da oração do Angelus, o Pontífice comentou o Evangelho deste domingo, extraído do capítulo 18 de Mateus, que apresenta o tema da correção fraterna na comunidade dos fiéis.

Jesus, explicou o Papa, nos ensina que se o meu irmão comete um pecado contra mim, eu devo ter caridade para com ele e, antes de tudo, falar pessoalmente com ele, explicando-lhe que o que ele disse ou fez não é bom. Se o irmão não me ouve, Jesus sugere uma ação progressiva: primeiro, volta a falar com ele com outras duas ou três pessoas; se, não obstante isso, não acolhe a exortação, é preciso dizer à comunidade; e se não ouve sequer a comunidade, é preciso fazer com que sinta a fratura e o distanciamento que ele mesmo provocou.

Todavia, advertiu Francisco, neste itinerário é preciso evitar o clamor da fofoca da comunidade. A atitude é de delicadeza, prudência, humildade, atenção para com quem pecou, evitando que as palavras possam ferir e matar o irmão.

Vocês sabem que as palavras matam: quando falo mal, faço uma crítica injusta, isso é matar a fama do outro.

Ao mesmo tempo, esta discrição tem a finalidade de não mortificar inutilmente o pecador. O objetivo é ajudar o irmão a perceber o que ele fez. Isso também nos ajuda a nos libertar da ira e do ressentimento que nos fazem mal e que nos levam a insultar e a agredir.
Isso é feio. Nada de insultos. Insultar não é cristão.

Na realidade, recordou o Pontífice, diante de Deus somos todos pecadores e necessitados de perdão. Jesus, de fato, nos disse para não julgar. A correção fraterna é um serviço recíproco que podemos e devemos fazer uns aos outros. E é possível e eficaz somente se cada um se reconhece pecador e necessitado do perdão do Senhor. A mesma consciência que me faz reconhecer o erro do outro, antes ainda me lembra que eu mesmo errei e erro tantas vezes.

Por isso, no início da Santa Missa, todas as vezes somos convidados a reconhecer diante do Senhor que somos pecadores, expressando com as palavras e os gestos o sincero arrependimento do coração. E o pedimos para nós, “Senhor, tende piedade de mim”, e não “Senhor, tende piedade dessa pessoa que está a meu lado”.

Entre as condições que são comuns dos que participam da celebração eucarística, duas são fundamentais, ressaltou o Papa: todos somos pecadores e a todos Deus doa a sua misericórdia. “Devemos nos lembrar sempre disso antes de corrigirmos fraternalmente o nosso irmão.”
Por fim, Francisco recordou que na segunda-feira, 08 de setembro, celebra-se liturgicamente a Natividade de Nossa Senhora, pedindo aos fiéis que, assim que acordarem, dirijam seu pensamento a Ela, como um filho cumprimenta sua mãe no dia do seu aniversário.

Fonte: News.va
Equipe PasCom
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014




CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Toda vez que renovamos a nossa profissão de fé recitando o “Credo”, nós afirmamos que a Igreja é “una” e “santa”. É una porque tem a sua origem em Deus Trindade, mistério de unidade e de comunhão plena. Depois, a Igreja é santa, enquanto fundada sobre Jesus Cristo, animada pelo seu Espírito Santo, repleta do seu amor e da sua salvação. Ao mesmo tempo, porém, é santa e composta de pecadores, todos nós, pecadores, que fazemos experiência cada dia das nossas fragilidades e das nossas misérias. Então, esta fé que professamos nos impele à conversão, a ter a coragem de viver cotidianamente a unidade e a santidade, e se nós são somos unidos, se não somos santos, é porque não somos fiéis a Jesus. Mas ele, Jesus, não nos deixa sozinhos, não abandona a sua Igreja! Ele caminha conosco, Ele nos entende. Entende as nossas fraquezas, os nossos pecados, perdoa-nos, sempre que nós nos deixamos perdoar. Ele está sempre conosco, ajudando-nos a nos tornarmos menos pecadores, mais santos, mais unidos.

1. O primeiro conforto vem do fato de que Jesus rezou tanto pela unidade dos discípulos. É a oração da Última Ceia, Jesus pediu tanto: “Pai, que sejam uma só coisa”. Rezou pela unidade, e o fez propriamente na iminência da Paixão, quando estava para oferecer toda a sua vida por nós. É aquilo que somos convidados continuamente a reler e meditar, em uma das páginas mais intensas e comoventes do Evangelho de João, o capítulo dezessete (cfr vv. 11.21-23). Como é belo saber que o Senhor, pouco antes de morrer, não se preocupou consigo mesmo, mas pensou em nós! E no seu diálogo sincero com o Pai, rezou justamente para que pudéssemos ser uma só coisa com Ele e entre nós. Bem: com estas palavras, Jesus se fez nosso intercessor junto ao Pai, para que possamos entrar também nós na plena comunhão de amor com Ele; ao mesmo tempo, confia-lhe a nós como seu testamento espiritual, para que a unidade possa se tornar sempre mais a nota distintiva das nossas comunidades cristãs e a resposta mais bela a qualquer um que nos pergunte a razão da esperança que há em nós (cfr 1 Pe 3, 15).

2. “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 21). A Igreja procurou desde o início realizar este propósito que está no coração de Jesus. Os Atos dos Apóstolos nos recordam que os primeiros cristãos se distinguiam pelo fato de terem “um só coração e uma só alma” (At 4, 32); o apóstolo Paulo, depois, exortava as suas comunidades a não esquecerem que são “um só corpo” (1 Cor 12, 13). A experiência, porém, nos diz que são tantos os pecados contra a unidade. E não pensemos só nos cismas, pensemos em faltas muito comuns nas nossas comunidades, em pecados “paroquiais”, aqueles pecados nas paróquias. Às vezes, de fato, as nossas paróquias, chamadas a serem lugares de partilha e de comunhão, são tristemente marcadas por inveja, ciúmes, antipatia… E as fofocas são acessíveis a todos. Como se fofoca nas paróquias! Isto não é bom. Por exemplo, quando alguém é eleito presidente daquela associação, fofoca-se contra ele. E se aquela outra é eleita presidente da catequese, as outras fofoca contra ela. Mas, esta não é a Igreja. Não se deve fazer isto, não devemos fazê-lo! É preciso pedir ao Senhor a graça de não fazê-lo. Isto é humano, sim, mas não é cristão! Isto acontece quando almejamos os primeiros lugares; quando colocamos no centro nós mesmos, com as nossas ambições pessoais e os nossos modos de ver as coisas, e julgamos os outros; quando olhamos aos defeitos dos irmãos, em vez de olhar para suas competências; quando damos mais peso àquilo que nos divide, em vez de olhar para o que nos une…

Uma vez, na outra diocese em que eu estava antes, ouvi um comentário interessante e belo. Falava-se de uma idosa que por toda a vida tinha trabalhado na paróquia e uma pessoa que a conhecia bem disse: “Esta mulher nunca falou mal dos outros, nunca fofocou, sempre estava com um sorriso”. Uma mulher assim pode ser canonizada amanhã! Este é um belo exemplo. E se olhamos para a história da Igreja, quantas divisões entre nós cristãos. Também agora estamos divididos. Também na história nós cristãos fizemos guerra entre nós por divisões teológicas. Pensemos naquela dos 30 anos. Mas isto não é cristão. Devemos trabalhar também pela unidade de todos os cristãos, seguir pelo caminho da unidade que é aquele que Jesus quer e pelo qual rezou.

3. Diante de tudo isso, devemos fazer seriamente um exame de consciência. Em uma comunidade cristã, a divisão é um dos pecados mais graves, porque a torna sinal não da obra de Deus, mas da obra do diabo, que é por definição aquele que separa, que arruína as relações, que insinua preconceitos… A divisão em uma comunidade cristã, seja essa uma escola, uma paróquia ou uma associação é um pecado gravíssimo, porque é obra do Diabo. Deus, em vez disso, quer que cresçamos na capacidade de nos acolhermos, de nos perdoarmos e de nos querermos bem, para nos assemelharmos sempre mais a Ele que é comunhão e amor. Nisto está a santidade da Igreja: em reconhecer-se à imagem de Deus, repleta da sua misericórdia e da sua graça.

Queridos amigos, façamos ressoar no nosso coração estas palavras de Jesus: “Bem aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9). Peçamos sinceramente perdão por todas as vezes em que fomos ocasião de divisão ou de incompreensão dentro das nossas comunidades, bem sabendo que não se chega à comunhão se não através de uma contínua conversão. O que é a conversão? É pedir ao Senhor a graça de não falar mal, de não criticar, de não fofocar, de querer bem a todos. É uma graça que o Senhor nos dá. Isto é converter o coração. E peçamos que a base cotidiana das nossas relações possa se tornar uma reflexão sempre mais bela e alegre da relação entre Jesus e o Pai.

Fonte: CN
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quarta-feira, 25 de junho de 2014



CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 25 de junho de 2014


A Igreja – 2. A pertença ao povo de Deus

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Hoje há um outro grupo de peregrinos conectados conosco na Sala Paulo VI, são os peregrinos doentes. Porque com este tempo, entre o calor e a possibilidade de chuva, era mais prudente que eles permanecessem lá. Mas eles estão conectados conosco por meio de um telão. E assim estamos unidos na mesma audiência. E todos nós hoje rezemos especialmente por eles, pelas suas doenças. Obrigado.

Na primeira catequese sobre Igreja, quarta-feira passada, partimos da iniciativa de Deus que quer formar um povo que leve a sua benção a todos os povos da terra. Começa com Abraão e depois, com tanta paciência – e Deus a tem, tem tanta! – prepara este povo na Antiga Aliança a fim de que, em Jesus Cristo, o constitua como sinal e instrumento da união dos homens com Deus e entre eles (cfr Conc. Ecum. Vat. II, Cost. Lumen gentium, 1). Hoje queremos nos concentrar sobre a importância, para o cristão, de pertencer a este povo. Falaremos sobre a pertença à Igreja.

1. Não somos isolados e não somos cristãos a título individual, cada um por conta própria, não, a nossa identidade cristã é pertença! Somos cristãos porque pertencemos à Igreja. É como um sobrenome: se o nome é “sou cristão”, o sobrenome é “pertenço à Igreja”. É muito belo notar como esta pertença é expressa também no nome que Deus atribui a si mesmo. Respondendo a Moisés, no episódio maravilhoso da “sarça ardente” (cfr Ex 3, 15), define-se, de fato, como o Deus dos pais. Não diz: Eu sou o Onipotente…, não: Eu sou o Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó. Deste modo, Ele se manifesta como o Deus que formou uma aliança com os nossos pais e permanece sempre fiel a ela, e nos chama para entrar nesta relação que nos precede. Esta relação de Deus com o seu povo precede a todos nós, vem daquele tempo.

2. Neste sentido, o pensamento vai, em primeiro lugar, com gratidão, àqueles que nos precederam e nos acolheram na Igreja. Ninguém se torna cristão por si mesmo! Está claro isso? Ninguém se torna cristão por si mesmo. Não se fazem cristãos em laboratório. O cristão é parte de um povo que vem de longe. O cristão pertence a um povo que se chama Igreja e esta Igreja o faz cristão, no dia do Batismo, e depois no percurso da catequese, e assim vai. Mas ninguém, ninguém se torna cristão por si mesmo. Se nós acreditamos, se sabemos rezar, se conhecemos o Senhor e podemos escutar a sua Palavra, se O sentimos próximo e O reconhecemos nos irmãos, é porque outros, antes de nós, viveram a fé e, depois, a transmitiram a nós. Recebemos a fé dos nossos pais, dos nossos antepassados, e eles a ensinaram a nós. Se pensamos bem, quem sabe quantos rostos queridos passam diante dos nossos olhos, neste momento: pode ser a face dos nossos pais que pediram para nós o Batismo; aquela dos nossos avós ou de qualquer familiar que nos ensinou a fazer o sinal da cruz e a recitar as primeiras orações. Eu recordo sempre a face da irmã que me ensinou o catecismo, sempre me vem à mente – ela está no Céu com certeza, porque é uma mulher santa – mas eu a recordo sempre e dou graças a Deus por esta irmã. Ou então o rosto do pároco, de um outro padre, ou de uma irmã, de um catequista, que nos transmitiu o conteúdo da fé e nos fez crescer como cristãos… Bem, essa é a Igreja: uma grande família, na qual se é acolhido e se aprende a viver como cristãos e como discípulos do Senhor Jesus.

3. Podemos viver esse caminho não somente graças às outras pessoas, mas junto a outras pessoas. Na Igreja, não existe o ‘agir por si’, não existem jogadores na função de ‘líbero’. Quantas vezes, o Papa Bento descreveu a Igreja como um “nós” eclesial! Às vezes se ouve alguém dizer: “Eu acredito em Deus, acredito em Jesus, mas a Igreja não me interessa…”. Quantas vezes ouvimos isso? E isso não é certo. Há quem acredite poder ter uma relação pessoal, direta, imediata com Jesus Cristo fora da comunhão e da mediação da Igreja. São tentações perigosas e prejudiciais. São, como dizia o grande Paulo VI, dicotomias absurdas. É verdade que caminhar junto é trabalhoso e às vezes pode ser cansativo: pode acontecer que algum irmão ou alguma irmã nos dê problema, ou nos cause escândalo… Mas o Senhor confiou a sua mensagem de salvação a pessoas humanas, a todos nós, às testemunhas; e é nos nossos irmãos e nas nossas irmãs, com os seus dons e os seus limites, que vem ao nosso encontro e se faz reconhecer. E isto significa pertencer à Igreja. Lembrem-se bem: ser cristão significa pertencer à Igreja. O nome é “cristão”, o sobrenome é “pertença à Igreja”.

Queridos amigos, peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, Mãe da Igreja, a graça de não cair nunca na tentação de pensar poder desfazer das pessoas, desfazer da Igreja, de podermos nos salvar sozinhos, de ser cristão de laboratório. Pelo contrário, não se pode amar Deus sem amar os irmãos, não se pode amar Deus fora da Igreja; não se pode estar em comunhão com Deus sem fazê-lo na Igreja e não podemos ser bons cristãos se não junto a todos aqueles que procuram seguir o Senhor Jesus, como um único povo, um único corpo, e isto é a Igreja. Obrigado.

Fonte: Canção Nova
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quarta-feira, 18 de junho de 2014



CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 18 de junho de 2014



Queridos irmãos e irmãs, bom dia. E parabéns a vocês porque vocês são bravos, com este tempo que não se sabe se vem água, se não vem… Bravos! Esperamos terminar a catequese sem água, que o Senhor tenha piedade de nós.

Hoje começo um ciclo de catequese sobre a Igreja. É um pouco como um filho que fala da própria mãe, da própria família. Falar da Igreja é falar da nossa mãe, da nossa família. A Igreja, na verdade, não é uma instituição com fim em si mesma ou uma associação privada, uma ONG, nem tão pouco se deve restringir o olhar ao clero e ao Vaticano… “A Igreja pensa…”. Mas a Igreja somos todos! “De quem você fala?”. “Não, dos padres…” Ah, os padres são parte da Igreja, mas a Igreja somos todos! Não restringi-la aos sacerdotes, aos bispos, ao Vaticano… Estes são partes da Igreja, mas a Igreja somos todos, todos família, todos da mãe. E a Igreja é uma realidade muito mais ampla, que se abre a toda a humanidade e que não nasce em um laboratório, a Igreja não nasceu em laboratório, não nasceu de improviso. Foi fundada por Jesus, mas é um povo com uma história longa e uma preparação que tem início muito antes do próprio Cristo.

1. Esta história, ou “pre-história”, da Igreja se encontra já nas páginas do Antigo Testamento. Ouvimos o Livro do Gênesis: Deus escolheu Abraão, nosso pai na fé, e lhe pede para partir, para deixar a sua pátria terrena e seguir rumo a uma outra terra, que Ele indicaria (cfr Gen 12, 1-9). E nesta vocação Deus não chama Abraão sozinho, como indivíduo, mas envolve desde o início a sua família, os seus parentes e todos aqueles que estão a serviço da sua casa. Uma vez em caminho, – sim, assim a Igreja começa a caminhar- , depois, Deus ainda ampliará o horizonte e transbordará Abraão da sua benção, prometendo-lhe uma descendência numerosa como as estrelas do céu e como a areia da praia. O primeiro dado importante é justamente esse: começando de Abraão, Deus forma um povo para que leve a sua benção a todas as famílias da terra. E dentro desse povo nasce Jesus. É Deus que faz esse povo, esta história, a Igreja em caminho, e ali nasce Jesus, neste povo.

2. Um segundo elemento: não é Abraão a constituir em torno de si um povo, mas é Deus a dar a vida a este povo. Geralmente era o homem que se dirigia à divindade, procurando preencher a lacuna e invocando apoio e proteção. O povo rezava aos deuses, às divindades. Nesse caso, em vez disso, se assiste a algo sem precedentes: é o próprio Deus a tomar a iniciativa. Escutemos isso: é o próprio Deus que bate à porta de Abraão e lhe diz: segue adiante, distante da sua terra, comece a caminhar e eu farei de ti um grande povo. E este é o início da Igreja e neste povo nasce Jesus. Deus toma a iniciativa e dirige a sua palavra ao homem, criando um vínculo e uma relação nova com ele. “Mas, padre, como é isto? Deus nos fala?”. “Sim”. “E nós podemos falar com Deus?”. “Sim”. “Mas nós podemos ter uma conversa com Deus?”. “Sim”. Isto se chama oração, mas é Deus que fez isso desde o início. Assim, Deus forma um povo com todos aqueles que escutam a sua Palavra e que se colocam em caminho, confiando Nele. Esta é a única condição: confiar em Deus. Se você confia em Deus, escuta-O e se coloca em caminho, isto é fazer Igreja. O amor de Deus precede tudo. Deus sempre é primeiro, chega antes de nós, Ele nos precede. O profeta Isaías, ou Jeremias, não me lembro bem, dizia que Deus é como a flor da amendoeira, porque é a primeira árvore que floresce na primavera. Para dizer que Deus sempre floresce antes de nós. Quando nós chegamos, Ele nos espera, Ele nos chama, Ele nos faz caminhar. Sempre está antecipado em relação a nós. E isto se chama amor, porque Deus nos espera sempre. “Mas, padre, eu não acredito nisto, porque se o senhor soubesse, padre, a minha vida tem sido tão ruim, como posso pensar que Deus me espera?”. “Deus te espera. E se você foi um grande pecador, te espera mais ainda e te espera com tanto amor, porque Ele é o primeiro. Esta é a beleza da Igreja, que nos leva a este Deus que nos espera!”. Precede Abraão, precede também Adão.

3. Abraão e os seus escutam o chamado de Deus e se colocam em caminho, não obstante não saibam bem quem seja este Deus e onde quer conduzi-los. É verdade, porque Abraão se coloca em caminho confiando neste Deus que lhes falou, mas não tinha um livro de teologia para estudar o que era este Deus. Confia, confia no amor. Deus lhe faz sentir o amor e ele confia. Isto, porém, não significa que este povo esteja sempre convencido e fiel. Antes, desde o início há resistências, o olhar para si mesmo e para seus próprios interesses e a tentação de negociar com Deus e resolver as coisas do próprio modo. E estas são as traições e os pecados que marcam o caminho do povo ao longo de toda a história da salvação, que é a história da fidelidade de Deus e da infidelidade do povo. Deus, porém, não se cansa, Deus tem paciência, tem tanta paciência, e no tempo continua a educar e a formar o seu povo, como um pai com o próprio filho. Deus caminha conosco. Diz o profeta Oseias: “Eu caminhei contigo e te ensinei a caminhar como um pai ensina o seu filho a caminhar”. Bela esta imagem de Deus! E assim é conosco: ensina-nos a caminhar. E é a mesma atitude que mantém em relação à Igreja. Também nós, de fato, mesmo no nosso propósito de seguir o Senhor Jesus, fazemos a experiência a cada dia do egoísmo e da dureza do nosso coração. Quando, porém, nos reconhecemos pecadores, Deus nos enche da sua misericórdia e do seu amor. E nos perdoa, nos perdoa sempre. E é justamente isso que nos faz crescer como povo de Deus, como Igreja: não é a nossa bravura, não são os nossos méritos – não somos pouca coisa, não é isso – mas é a experiência cotidiana de quanto o Senhor nos quer bem e cuida de nós. É isto que nos faz sentir realmente seus, nas suas mãos, e nos faz crescer na comunhão com Ele e entre nós. Ser Igreja é sentir-se nas mãos de Deus, que é Pai e nos ama, nos acaricia, nos espera, nos faz sentir a sua ternura. E isto é muito belo!

Queridos amigos, este é o projeto de Deus; quando chamou Abraão, Deus pensava isto: formar um povo abençoado pelo seu amor e que leve a sua benção a todos os povos da terra. Este projeto não muda, está sempre em ação. Em Cristo teve o seu cumprimento e ainda hoje Deus continua a realizá-lo na Igreja. Peçamos, então, a graça de permanecer fiéis ao seguimento do Senhor Jesus e na escuta da sua Palavra, prontos a partir a cada dia, como Abraão, rumo à terra de Deus e do homem, a nossa verdadeira pátria e assim nos tornarmos benção, sinal do amor de Deus para todos os seus filhos. Eu gosto de pensar que um sinônimo, um outro nome que nós cristãos podemos ter seria este: somos homens e mulheres, somos povo que bendiz. O cristão, com a sua vida, deve bendizer sempre, bendizer Deus e bendizer todos. Nós cristãos somos povo que bendiz, que sabe bendizer. Esta é uma bela vocação!

Fonte: Canção Nova
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quarta-feira, 28 de maio de 2014




CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 28 de maio de 2014



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nos dias passados, como vocês sabem, fiz uma peregrinação à Terra Santa. Foi um grande dom para a Igreja e dou graças a Deus por isso. Ele me guiou naquela Terra abençoada, que viu a presença histórica de Jesus e onde se verificaram eventos fundamentais para o judaísmo, o cristianismo e o islã. Desejo renovar a minha cordial gratidão a Sua Beatitude o Patriarca Fouad Twal, aos bispos dos vários ritos, aos sacerdotes, aos franciscanos da Custódia da Terra Santa. Estes franciscanos são bravos! O seu trabalho é belíssimo, aquilo que eles fazem! O meu grato pensamento vai também às autoridades jordanianas, israelenses e palestinas, que me acolheram com tanta cortesia, diria também com amizade, bem como a todos aqueles que cooperaram para a realização da visita.

1. O escopo principal desta peregrinação foi comemorar o 50º aniversário do histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras. Aquela foi a primeira vez em que um Sucessor de Pedro visitou a Terra Santa: Paulo VI inaugurava assim, durante o Concílio Vaticano II, as viagens fora da Itália dos Papas na época contemporânea. Aquele gesto profético do Bispo de Roma e do Patriarca de Constantinopla colocou uma pedra milenar no caminho sofrido, mas promissor, da unidade de todos os cristãos, que desde então deu passos relevantes. Por isso, o meu encontro com Sua Santidade Bartolomeu, amado irmão em Cristo, representou o momento culminante da visita. Juntos, rezamos no Santo Sepulcro de Jesus, e conosco estavam o Patriarca Grego-Ortodoxo de Jerusalém, Theophilos III e o Patriarca Armênio Apostólico Nourthan, além de arcebispos e bispos de diversas igrejas e comunidades, autoridades civis e muitos fiéis. Naquele lugar onde ressoou o anúncio da Ressurreição, sentimos toda a amargura e o sofrimento das divisões que ainda existem entre os discípulos de Cristo; e realmente isso faz tanto mal, mal ao coração. Ainda estamos divididos; e naquele lugar onde ressoou justamente o anúncio da Ressurreição, onde Jesus nos deu a vida, ainda nós estamos um pouco divididos. Mas, sobretudo, naquela celebração repleta de recíproca fraternidade, de estima e de afeto, ouvimos forte a voz do Bom Pastor Ressuscitado que quer fazer de todas as suas ovelhas um único rebanho; sentimos o desejo de sanar as feridas ainda abertas e prosseguir com tenacidade o caminho rumo à plena comunhão. Uma vez mais, como fizeram os Papas precedentes, eu peço perdão por aquilo que fizemos para favorecer esta divisão, e peço ao Espírito Santo que nos ajude a curar as feridas que fizemos aos outros irmãos. Todos somos irmãos em Cristo e com o Patriarca Bartolomeu somos amigos, irmãos, e partilhamos a vontade de caminhar juntos, fazer tudo aquilo que hoje podemos fazer: rezar juntos, trabalhar juntos pelo rebanho de Deus, procurar a paz, proteger a criação, tantas coisas que temos em comum. E como irmãos, devemos seguir adiante.

2. Outro escopo desta peregrinação foi encorajar naquela região o caminho rumo à paz, que é ao mesmo tempo dom de Deus e empenho dos homens. Fiz isso na Jordânia, na Palestina, em Israel. E o fiz sempre como peregrino, em nome de Deus e do homem, levando no coração uma grande compaixão pelos filhos daquela Terra que há muito tempo convivem com a guerra e têm o direito de conhecer finalmente dias de paz!
Por isto, exortei os fiéis cristãos a deixarem-se “ungir” com coração aberto e dócil pelo Espírito Santo, para serem sempre mais capazes de gestos de humildade, de fraternidade e de reconciliação. O Espírito permite assumir estas atitudes na vida cotidiana, com pessoas de diversas culturas e religiões, e assim de se tornar “artífices” da paz. A paz se faz artesanalmente! Não há indústrias de paz, não. Faz-se a cada dia, artesanalmente, e também com o coração aberto para que venha o dom de Deus. Por isto exortei os fiéis cristãos a deixarem-se “ungir”.

Na Jordânia agradeci às autoridades e ao povo pelo seu empenho no acolhimento de numerosos refugiados provenientes das zonas de guerra, um empenho humanitário que merece e requer o apoio constante da Comunidade Internacional. Fiquei impressionado com a generosidade do povo jordaniano em receber os refugiados, tantos que fogem da guerra, naquela região. Que o Senhor abençõe este povo acolhedor, que o abençõe tanto! E nós devemos rezar para que o Senhor abençõe este acolhimento e pedir a todas as instituições para ajudarem este povo neste trabalho de acolhimento que faz. Durante a peregrinação, também em outros lugares encorajei as autoridades interessadas a prosseguir com os esforços para aliviar as tensões na área do Oriente Médio, sobretudo na martirizada Síria, bem como a continuar na busca de uma solução equitativa para o conflito israelense-palestino. Por isto, convidei o presidente de Israel e o presidente da Palestina, todos dois homens de paz e artífices de paz, a virem ao Vaticano para rezarem junto comigo pela paz. E por favor, peço a vocês que não nos deixem sozinhos: vocês, rezem, rezem muito para que o Senhor nos dê a paz, nos dê a paz naquela Terra abençoada! Conto com as vossas orações. Forte, rezem, neste tempo, rezem muito para que venha a paz.

3. Esta peregrinação à Terra Santa foi também a ocasião para confirmar na fé as comunidades cristãs, que sofrem tanto, e exprimir a gratidão de toda a Igreja pela presença dos cristãos naquela região e em todo o Oriente Médio. Estes nossos irmãos são corajosas testemunhas de esperança e de caridade, “sal e luz” aquela Terra. Com suas vidas de fé e de oração e com a apreciada atividade educativa e assistencial, eles trabalham em favor da reconciliação e do perdão, contribuindo para o bem comum da sociedade.

Com esta peregrinação, que foi uma verdadeira graça de Deus, quis levar uma palavra de esperança, mas também a recebi! Eu a recebi de irmãos e irmãs que esperam “contra toda esperança” (Rm 4, 18), através de tantos sofrimentos, como aqueles que fugiram do próprio país por causa dos conflitos; como aqueles tantos que, em diversas partes do mundo, são discriminados e desprezados por causa de sua fé em Cristo. Continuemos a estar próximo a eles! Rezemos por eles e pela paz na Terra Santa e em todo o Oriente Médio. A oração de toda a Igreja apoia também o caminho rumo à plena unidade entre os cristãos, para que o mundo creia no amor de Deus que em Jesus Cristo veio habitar entre nós.

E convido vocês agora a rezarem juntos, a rezarem juntos à Nossa Senhora, Rainha da paz, Rainha da unidade entre os cristãos, a Mãe de todos os cristãos: que ela nos dê a paz, a todo o mundo, e que ela nos acompanhe neste caminho de unidade. [Ave Maria]

Fonte: Canção Nova
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quarta-feira, 2 de outubro de 2013



Catequese
Praça São Pedro - Vaticano
Quarta-feira, 2 de outubro de 2013




Catequese do Santo Padre tratou do ponto do Credo em que dizemos que cremos na Igreja, focando no aspecto da santidade ("Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica"). O Santo Padre ressaltou que a Igreja é santa "porque é guiada pelo Espírito Santo, que purifica, transforma e renova. Não é santa pelos nossos méritos, mas porque Deus a torna santa, ela é fruto do Espírito Santo e dos dons d`Ele".

Vejamos a íntegra da catequese:

"Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
No “Credo”, depois de ter professado “Creio na Igreja una”, acrescentamos o adjetivo “santa”; afirmamos, isto é, a santidade da Igreja e esta é uma característica que já esteve presente desde o início na consciência dos primeiros cristãos, os quais se chamavam simplesmente “os santos” (cfr At 9, 13. 32. 41; Rm 8, 27; 1 Cor 6, 1), porque tinham a certeza de que a ação de Deus, o Espírito Santo que santifica a Igreja.
Mas em que sentido a Igreja é santa se vemos que a Igreja histórica, em seu caminho ao longo dos séculos, teve tantas dificuldades, problemas, momentos sombrios? Como pode ser santa uma Igreja feita de seres humanos, de pecadores? Homens pecadores, mulheres pecadoras, sacerdotes pecadores, irmãs pecadoras, bispos pecadores, cardeais pecadores, Papa pecador? Todos. Como pode ser santa uma Igreja assim?
Para responder à pergunta gostaria de guiar-me por um trecho da Carta de São Paulo aos cristãos de Éfeso. O apóstolo, tomando como exemplo as relações familiares, afirma que “Cristo amou a Igreja e doou a si mesmo por ela, para torná-la santa” (5, 25-26). Cristo amou a Igreja, doando todo a si mesmo na cruz. E isto significa que a Igreja é santa porque procede de Deus que é santo, lhe é fiel e não a abandona em poder da morte e do mal (cfr Mt 16, 18). É santa por que Jesus Cristo, o Santo de Deus (cfr Mc 1, 24), está unido de forma indissolúvel a esta (cfr Mt 28, 20); é santa porque é guiada pelo Espírito Santo que purifica, transforma, renova. Não é santa pelos nossos méritos, mas porque Deus a torna santa, é fruto do Espírito Santo e dos seus dons. Não somos nós a fazê-la santa: é Deus, é o Espírito Santo, que no seu amor, faz santa a Igreja!
2. Vocês poderiam dizer-me: mas a Igreja é formada por pecadores, vemos isso todos os dias. E isto é verdade: somos uma Igreja de pecadores; e nós pecadores somos chamados a deixar-nos transformar, renovar, santificar por Deus. Houve na história a tentação de alguns que afirmavam: a Igreja é somente a Igreja dos puros, daqueles que são totalmente coerentes e os outros seguem afastados. Isto não é verdade! Isto é uma heresia! A Igreja, que é santa, não rejeita os pecadores; não rejeita todos nós; não rejeita porque chama todos, acolhe-os, está aberta também aos mais distantes, chama todos a deixar-se envolver pela misericórdia, pela ternura e pelo perdão do Pai, que oferece a todos a possibilidade de encontrá-Lo, de caminhar rumo à santidade. “Mas, padre, eu sou um pecador, tenho grandes pecados, como posso sentir-me parte da Igreja?”. Querido irmão, querida irmã, é propriamente isto que deseja o Senhor; que você lhe diga: “Senhor, estou aqui, com os meus pecados”. Alguém de vocês está aqui sem os próprios pecados? Alguém de vocês? Ninguém, nenhum de nós. Todos levamos conosco os nosso pecados. Mas o Senhor quer ouvir que lhe digamos: “Perdoa-me, ajuda-me a caminhar, transforma o meu coração!”. E o Senhor pode transformar o coração. Na Igreja, o Deus que encontramos não é um juiz implacável, mas é como o Pai da parábola evangélica. Você pode ser como o filho que deixou a casa, que tocou o fundo do distanciamento de Deus. Quando tens a força de dizer: quero voltar pra casa, encontrarás a porta aberta, Deus vem ao seu encontro porque te espera sempre, Deus te espera sempre. Deus te abraça, te beija e faz festa. Assim é o Senhor, assim é a ternura do nosso Pai celeste. O Senhor nos quer parte de uma Igreja que sabe abrir os braços para acolher todos, que não é a casa de poucos, mas a casa de todos, onde todos podem ser renovados, transformados, santificados pelo seu amor, os mais fortes e os mais frágeis, os pecadores, os indiferentes, aqueles que se sentem desencorajados e perdidos. A Igreja oferece a todos a possibilidade de percorrer o caminho da santidade, que é o caminho do cristão: faz-nos encontrar Jesus Cristo nos Sacramentos, especialmente na Confissão e na Eucaristia; comunica-nos a Palavra de Deus, faz-nos viver na caridade, no amor de Deus para com todos. Perguntemo-nos então: deixamo-nos santificar? Somos uma Igreja que chama e acolhe de braços abertos os pecadores, que dá coragem, esperança, ou somos uma Igreja fechada em si mesma? Somos uma Igreja na qual se vive o amor de Deus, na qual se tem atenção para com o outro, na qual se reza uns pelos outros?
3. Uma última pergunta: o que posso fazer eu que me sinto indefeso, frágil, pecador? Deus te diz: não ter medo da santidade, não ter medo de sonhar alto, de deixar-se amar e purificar por Deus, não ter medo de deixar-se guiar pelo Espírito Santo. Deixemo-nos contagiar pela santidade de Deus. Todo cristão é chamado à santidade (cfr Const. Dogm. Lumen gentium, 39-42); e a santidade não consiste antes de tudo em fazer coisas extraordinárias, mas no deixar Deus agir. É o encontro da nossa fraqueza com a força da Sua graça, é ter confiança em Sua ação que nos permite viver na caridade, fazer tudo com alegria e humildade, para a glória de Deus e no serviço ao próximo. Há uma célebre frase do escritor francês Léon Bloy; nos últimos momentos da sua vida dizia: “Há uma só tristeza na vida, aquela de não ser santos”. Não percamos a esperança na santidade, percorramos todos este caminho. Queremos ser santos? O Senhor espera todos nós, com os braços abertos; espera-nos para nos acompanhar neste caminho de santidade. Vivamos com alegria a nossa fé, deixemo-nos amar pelo Senhor… peçamos este dom a Deus na oração, por nós e pelos outros".

Fonte: papa.cancaonova.com
Equipe PasCom

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sábado, 20 de abril de 2013




CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 17 de abril de 2013



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No Credo, encontramos a afirmação de que Jesus “subiu aos céus e está sentado à direita do Pai”. A vida terrena de Jesus culmina no evento da Ascensão, quando, isso é, Ele passa deste mundo ao Pai e é elevado à sua direita. Qual é o significado deste acontecimento? Quais são as consequências para a nossa vida? O que significa contemplar Jesus sentado à direita do Pai? Sobre isto, deixemo-nos guiar pelo evangelista Lucas.

Partamos do momento no qual Jesus decide embarcar em sua última peregrinação a Jerusalém. São Lucas anota: “Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado deste mundo, ele resolveu dirigir-se a Jerusalém” (Lc 9, 51). Enquanto “ascende” à Cidade santa, onde se cumprirá o seu “êxodo” desta vida, Jesus vê já a meta, o Céu, mas sabe bem que o caminho que o leva de volta à glória do Pai passa pela Cruz, pela obediência ao desígnio divino de amor pela humanidade. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a elevação sobre a cruz significa e anuncia a elevação da ascensão ao céu” (n. 661). Também nós devemos ter claro, na nossa vida cristã, que o entrar na glória de Deus exige a fidelidade cotidiana à sua vontade, mesmo quando requer sacrifício, requer às vezes mudar os nossos programas. A Ascensão de Jesus acontece concretamente no Monte das Oliveiras, próximo ao lugar onde havia se retirado em oração antes da paixão para permanecer em profunda união com o Pai: mais uma vez vemos que a oração nos dá a graça de viver fiéis ao projeto de Deus.

Ao final do seu Evangelho, São Lucas narra o evento da Ascensão de modo muito sintético. Jesus conduz os discípulos “para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus” (24, 50-53); assim diz São Lucas. Gostaria de salientar dois elementos da história. Antes de tudo, durante a Ascensão Jesus cumpre o gesto sacerdotal da benção e seguramente os discípulos exprimem a sua fé com a prostração, ajoelham-se inclinando a cabeça. Este é um primeiro ponto importante: Jesus é o único e eterno Sacerdote que com a sua paixão atravessou a morte e o sepulcro e ressuscitou e ascendeu ao Céu; está junto de Deus Pai, onde intercede para sempre a nosso favor (cfr Eb 9,24). Como afirma São João na sua Primeira Carta, Ele é o nosso advogado: que belo ouvir isto! Quando alguém é chamado por um juiz ou pelo tribunal, a primeira coisa que faz é procurar um advogado para que o defenda. Nós temos um, que nos defende sempre, defende-nos das ciladas do diabo, defende-nos de nós mesmos, de nossos pecados! Caríssimos irmãos e irmãs, temos este advogado: não tenhamos medo de ir até Ele e pedir perdão, pedir a benção, pedir misericórdia! Ele nos perdoa sempre, é o nosso advogado: defende-nos sempre! Não se esqueçam disso! A Ascensão de Jesus ao Céu nos faz conhecer então esta realidade tão reconfortante para o nosso caminho: em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a nossa humanidade foi levada junto a Deus; Ele nos abriu a passagem; Ele é como uma corda quando se escala uma montanha, que chegou ao topo e nos atrai para si conduzindo-nos a Deus. Se confiamos a Ele a nossa vida, se nos deixamos guiar por Ele, estamos certos de estar em mãos seguras, nas mãos do nosso salvador, do nosso advogado.

Um segundo elemento: São Lucas refere que os Apóstolos, depois de terem visto Jesus subir ao céu, retornaram a Jerusalém “com grande alegria”. Isto nos parece um pouco estranho. Em geral, quando estamos separados dos nossos familiares, dos nossos amigos, para uma partida definitiva e sobretudo por causa da morte, há em nós uma tristeza natural, porque não veremos mais a face deles, não escutaremos mais a sua voz, não poderemos mais desfrutar do afeto deles, da presença deles. Em vez disso, o evangelista destaca a profunda alegria dos Apóstolos. Mas como? Propriamente porque, com o olhar da fé, esses compreendem que, embora removido de seus olhos, Jesus permanece para sempre com eles, não os abandona e, na glória do Pai, sustenta-lhes, guia-lhes e intercede por eles.

São Lucas narra o fato da Ascensão também no início dos Atos dos Apóstolos, para destacar que este acontecimento é como o anel que envolve e conecta a vida terrena de Jesus àquela da Igreja. Aqui São Lucas também menciona a nuvem que levou Jesus para fora da vista dos discípulos, os quais permanecem a contemplar o Cristo que ascende para Deus (cfr At 1,9-10). Intervêm então dois homens em vestes brancas que os convidam a não permanecer imóveis a olhar para o céu, mas a nutrir a vida deles e o testemunho deles com a certeza de que Jesus voltará do mesmo modo com o qual o viram subir ao céu (cfr At 1,10-11). É propriamente o convite para partir da contemplação do Senhorio de Cristo, para ter Dele a força de levar e testemunhar o Evangelho na vida de cada dia: contemplar e agir, reza e trabalha, ensina São Benedito, são ambos necessários na nossa vida de cristãos.

Queridos irmãos e irmãs, a Ascensão não indica a ausência de Jesus, mas nos diz que Ele está vivo em meio a nós de modo novo; não está mais em um lugar preciso no mundo como o era antes da Ascensão; agora está no senhorio de Deus, presente em cada espaço e tempo, próximo a cada um de nós. Na nossa vida não estamos nunca sozinhos: temos este advogado que nos espera, que nos defende. Não estamos nunca sozinhos: o Senhor crucificado e ressuscitado nos guia; conosco há tantos irmãos e irmãs que no silêncio e na ocultação, em sua vida de família e de trabalho, em seus problemas e dificuldades, em suas alegrias e esperanças, vivem cotidianamente a fé e levam, juntos a nós, ao mundo o senhorio do amor de Deus, em Cristo Jesus ressuscitado, que subiu ao Céu, advogado para nós. Obrigado.

Fonte: Canção Nova

Equipe PasCom
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