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domingo, 3 de julho de 2016


Em Jesus, Deus reina no meio de nós, o seu amor misericordioso vence o pecado e a miséria humana. Este o tema de fundo da alocução do Papa Francisco, antes da oração mariana do Angelus na Praça de São Pedro. Ocasião em que comentou as páginas evangélicas deste domingo, centradas no Evangelho de São Lucas, e que nos fazem compreender – disse – quão necessário é invocar Deus para que mande operários para a sua messe, ou seja missionários do Reino de Deus para anunciar a mensagem de salvação, mensagem de esperança e consolação, de paz e de caridade. Missão em que Jesus recomendava sempre aos discípulos que começassem, ao entrar numa casa, por dizer “Paz a esta casa” e por “curar os doentes que ali se encontravam”. Sinal de que – continuou Francisco – o Reino de Deus “se constrói no dia a dia e dá já nesta terra os seus frutos de conversão, de purificação, de amor e de consolação aos homens. É coisa bela eh! Construir dia por dia este Reino de Deus que se vai construindo. Não destruir, construir”.
Com que espírito então o discípulo de Jesus deve desempenhar  esta missão? – interrogou o Papa. Antes de mais – respondeu – com a consciência de que a realidade que o espera é difícil, por vezes, mesmo hostil, a hostilidade que está sempre no início da perseguição dos cristãos. E Jesus foi claro quando disse aos apóstolos: “Mando-vos como cordeiros no meio de lobos”, porque sabia que a missão é dificultada pela obra do maligno.
“Por isso, o operário do Evangelho se esforçará por ser livre de condicionamentos humanos de qualquer tipo, não levando consigo nem pastas, nem sacos, nem sandálias, como recomendou Jesus, por forma a estribar-se apenas na potencia da Cruz de Cristo. Isto significa abandonar todos os motivos de bazofarias pessoais e fazer-se, de modo humilde, instrumento da salvação concretizada pelo sacrifício de Jesus, morto e ressuscitado por nós”.
O Papa continuou dizendo que a missão do cristão no mundo é uma belíssima missão de que ninguém está excluído; é uma missão de serviço que requer muita generosidade e sobretudo um olhar e um coração orientados para o alto a fim de invocar a ajuda de Deus. Há hoje muita necessidade de cristãos que dêem testemunho do Evangelho com alegria – disse Francisco, referindo-se a homens, mulheres, sacerdotes, bons párocos que todos conhecemos, irmãs, consagradas, missionárias e missionários e lançou uma outra pergunta, insistindo para que o ouvissem com atenção:
“Quantos de vós jovens que vos encontrais neste momento aqui na Praça, sentis a chamada do Senhor a segui-Lo? Não tenhais medo! Sede corajosos e levai aos outros esta chama do zelo apostólico que nos foi dada por estes discípulos exemplares”.
E o Papa rezou a Nossa Senhora para que não falte nunca na Igreja corações generosos que trabalhem para levar a todos o amor e a ternura do Pai celeste.
Depois da oração do Angelus, o Papa mostrou-se próximo dos familiares das vítimas e dos feridos nos atentados em Dacca e Bagdad e pediu para que rezassem juntos por eles, para os defuntos e pediu ao Senhor para converter os corações dos violentos cegos pelo ódio.
Avé Maria…
o Papa saudou depois diversos grupos de peregrinos vindos de várias partes da Itália e do mundo, entre os quais um grupo de Bragança-Miranda, em Portugal. Muitos desses grupos, vieram de longe, mesmo de Cracóvia, alguns a pé, outros a cavalo e de bicicleta. Saudou também um grupo de seus compatriotas “Cilezitos”, vindo da Argentina.
O Papa recordou seguidamente a solenidade de Santa Maria Goretti, no próxima dia 6:
“No Ano Santo da Misericórdia tenho a peito recordar que quarta-feira próxima celebraremos a memória de Santa Maria Goretti, a menina mártir que antes de morrer perdoou o seu assassino. E esta menina corajosa merece um aplauso de toda a Praça, eh!”
A todos o Papa saudou, com um “até nos vermos”, pedindo, como sempre oração para ele. 
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sexta-feira, 20 de maio de 2016


Sexta-feira, 20 de maio – na Missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que devemos ser compreensivos com os pecadores mas nunca devemos negociar a verdade. O Santo Padre sublinhou que Jesus supera a visão humana que quereria reduzir a visão de Deus a uma equação casuística. Presentes na Missa oito casais com 50 anos de matrimónio e um com 25 anos.
O Evangelho do dia propõe uma leitura de S. Marcos na qual os fariseus procuram urdir uma armadilha a Jesus perguntando-lhe se era lícito um homem repudiar a própria mulher. A propósito desta passagem do Evangelho, Francisco define-a como sendo a “armadilha” da “casuística” feita por um “grupinho de teólogos iluminados” convencidos que detinham toda a sabedoria do Povo de Deus.
Na resposta aos fariseus – continuou o Papa – Cristo responde com a verdade indo à plenitude da criação dizendo-lhes que Deus “homem e mulher os criou” ; “os dois serão uma só carne” e “não separe o homem o que Deus uniu”. Porque Jesus não negoceia a verdade” – afirmou o Papa.
O Santo Padre recordou também na sua homilia que Jesus não se limitou a declarar a verdade de Deus mas perguntou aos fariseus o que Moisés tinha estabelecido na lei. E quando os fariseus disseram que contra o adultério é lícito escrever um ato de repúdio, Cristo replica que aquela norma foi escrita devido à dureza dos seus corações. Jesus distingue sempre entre verdade e debilidade humana e para tal existe “o perdão, a compreensão, o acompanhamento, a integração, o discernimento destes casos, mas a verdade nunca se vende!” – sublinhou o Papa.
Francisco referiu ainda que os fariseus se encontravam fechados na armadilha da equação do “pode-se?” ou “não se pode?”, e, portanto, incapazes quer de horizontes quer de amor para com a debilidade humana.
“Que Jesus nos ensine a ter com o coração uma grande adesão à verdade e também com o coração uma grande compreensão e acompanhamento a todos os nossos irmãos que estão em dificuldade” – disse o Papa Francisco no final da sua homilia
Fonte:Radio Vaticano
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domingo, 15 de maio de 2016


Solenidade de Pentecostes

Papa Francisco

Praça de São Pedro

Domingo,

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Celebramos hoje a grande festa de Pentecostes, que finaliza a época da Páscoa, cinquenta dias após a ressurreição de Cristo. A liturgia convida-nos a abrir nossas mentes e os nossos corações aos dons do Espírito Santo, que Jesus prometeu várias vezes aos seus discípulos, o primeiro e principal dom que ele ganhou por nós com sua Ressurreição. Esse dom, o próprio Jesus orou ao Pai, como evidenciado pelo Evangelho de hoje, que ocorre durante a Última Ceia. Jesus diz aos seus discípulos: "Se me amardes, guardareis os meus mandamentos; e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito para estar com vocês para sempre "(Jo 14,15-16).

Estas palavras nos fazem lembrar, antes de tudo que o amor de uma pessoa, e também para o Senhor, não se prova com palavras, mas com ações; e também "guardam os mandamentos" deve ser entendido num sentido existencial, de modo que ele está envolvido em toda a sua vida. Na verdade, não necessariamente para ser um cristão significa pertencer a uma determinada cultura ou aderir a uma certa doutrina, mas sim para amarrar sua própria vida, em todos os seus aspectos, à pessoa de Jesus e, através dele, ao Pai. Para este fim, Jesus promete a efusão do Espírito Santo aos seus discípulos. Graças ao Espírito Santo, o amor que une o Pai e do Filho e prossegue a partir deles, todos nós podemos viver a mesma vida de Jesus. O Espírito, de fato, nos ensina todas as coisas, essa é a única coisa necessária: A amar como Deus ama.

E prometendo o Espírito Santo, Jesus o chama de "outro Paráclito" (v. 16), o que significa Consolador, Advogado, Intercessor, isto é, aquele que nos ajuda, nos protege, está do nosso lado na jornada da vida e na luta pela bem e contra o mal. Jesus diz que "outro Paráclito" porque o primeira é, ele próprio, que foi feito justamente para tomar sobre si a nossa condição humana e libertá-lo da escravidão do pecado.

Além disso, o Espírito Santo exerce uma função de ensino e de memória. Aprendizagem e memória. Disse Jesus: "O Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse" (v 26).. O Espírito Santo não trará um ensino diferente, mas faz viver, faz operar o ensinamento de Jesus, porque a passagem do tempo não apaga ou desaparece. O Espírito Santo enxerta este ensino em nosso coração, nos ajuda a internalizá-lo, tornando parte de nós, carne da nossa carne. Ao mesmo tempo, preparar os nossos corações porque para ser realmente capaz de obter as palavras e exemplos do Senhor. Toda vez que a palavra de Jesus é recebida com alegria no coração, esta é a obra do Espírito Santo.

Vamos agora rezar juntos o Regina Coeli - pela última vez este ano -, invocando a intercessão materna da Virgem Maria. Que ela nos de a graça de ser fortemente animado pelo Espírito Santo, para dar testemunho de Cristo com firmeza evangélica e abrir-nos cada vez mais à plenitude do seu amor.

Depois do Regina Coeli:

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, muito apropriado no contexto de Pentecostes, será a minha Mensagem para o Dia Mundial das Missões, que se celebra todos os anos em outubro. O Espírito Santo dará força a todos os missionários a apoiar a missão da Igreja em todo o mundo. E o Espírito Santo dará aos jovens - rapazes e moças- força, que querem ir para pregar o Evangelho. Pedimos, hoje, o Espírito Santo.

Saúdo todos vós, famílias, grupos de igreja, as associações, os peregrinos da Itália e de várias partes do mundo, especialmente de Madrid, Praga e Tailândia; bem como os membros da comunidade católica em Londres coreano.

Saúdo os fiéis de Casalbuttano, Cortona, Terni, Ragusa; os meninos de Massa Romagnano; e "Sacred Choral Jonica" da província de Taranto.

Saúdo de modo especial todos aqueles envolvidos no dia de hoje no "Festival das Nações", no 25º aniversário, em São João de Latrão. Esta festa, um sinal de unidade e diversidade de culturas, ajuda-nos a entender que o caminho para a paz é esta: criar a unidade, respeitando a diversidade.

Dirijo um pensamento especial ao Alpini, reunidos em Asti para o Encontro Nacional. Exorto-os a ser testemunhas da misericórdia e esperança, seguindo o exemplo do Beato Don Carlo Gnocchi, do Beato Irmão Luigi Bordino e venerável Teresio Sallowthorns, que honrou o Corpo de Alpini pela santidade de suas vidas.

E eu desejo a todos uma festa de Pentecostes feliz. Por favor, não se esqueça de orar por mim. Bom almoço e adeus!

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terça-feira, 10 de maio de 2016


Terça-feira, dia 10 de maio – na Missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que missionário é aquele que gasta a vida por Jesus. O Santo Padre referiu em particular os mártires afirmando que são a glória da Igreja.
A homilia de Francisco foi inspirada na passagem dos Atos dos Apóstolos, proposta pela liturgia do dia que narra a despedida de S. Paulo da comunidade de Mileto. Uma cena emocionante na qual Paulo sabe que não voltará a ver aquela comunidade. A hora é de partida para Jerusalém, é ali que o Espírito conduz Paulo, o mesmo Espírito que sempre o impulsionou para o anúncio do Evangelho. O Santo Padre recordou assim a vida dos nossos missionários de todas as épocas:
“Iam impelidos pelo Espírito Santo: uma vocação! E quando, nesses lugares, vamos aos cemitérios e vemos as suas lápides: muitos morreram jovens, com menos de 40 anos. Porque não estavam preparados para suportar as doenças locais. Deram a vida jovens: ‘gastaram’ a vida. Eu penso que eles, naquele último momento, longe da sua pátria, da sua família, dos seus caros, tenham dito: ‘Valeu a pena o que eu fiz’.”
“O missionário parte sem saber o que o aguarda” – disse o Papa, que citou a despedida da vida de S. Francisco Xavier narrado por José María Pemàn, escritor e poeta espanhol do século XX. Uma página que evoca aquela de S. Paulo, que disse no seu discurso de despedida: “Sei apenas que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me adverte, dizendo que me aguardam cadeias e tribulações” – recordou Francisco:
“Os nossos missionários, estes heróis da evangelização dos nossos tempos. A Europa que encheu de missionários outros continentes… E estes partiam sem voltar… Creio que seja justo agradecer ao Senhor pelo seu testemunho. É justo que nós nos alegremos por ter estes missionários, que são testemunhas verdadeiras. Eu penso em como foi o último momento deles: como pode ter sido a despedida? Como Xavier: “Deixei tudo, mas valeu a pena!”. Anónimos, foram embora. Outros mártires, isto é, oferecendo a vida pelo Evangelho. Estes missionários são a nossa glória! A glória da nossa Igreja!”
No final da sua homilia o Papa Francisco exortou os jovens que não estão felizes com a cultura do consumismo e do narcisismo, a colocarem no seu horizonte a vida destes missionários e a ‘gastarem’ também eles a vida pelo anúncio do Evangelho.
Fonte:Rádio Vaticano
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segunda-feira, 9 de maio de 2016


“O Espírito Santo nos torna cristãos reais e não virtuais”, disse o Papa na missa celebrada na manhã desta segunda-feira, (09/05). Francisco dirigiu ainda um pensamento especial às religiosas vicentinas que trabalham na Casa Santa Marta, no dia da festa litúrgica da fundadora da Companhia, Santa Luísa de Marillac.
O Pontífice exortou os fiéis a se deixarem guiar pelo Espírito Santo, que nos ensina o caminho da verdade. 'Nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo', disse o Papa comentando o diálogo entre Paulo e os alguns discípulos, em Éfeso, para se deter na presença do Espírito Santo na vida dos cristãos. “Também hoje acontece como aconteceu aos discípulos que, mesmo crendo em Jesus, não sabiam quem era o Espírito Santo”, frisou Francisco. 
“Muitas pessoas dizem que aprenderam no catecismo que o Espírito Santo está na Trindade e não sabem mais nada além disso”, e se perguntam o que faz:
Não mais órfãos
“O Espírito Santo é aquele que move a Igreja. É aquele que trabalha na Igreja, em nossos corações. Ele faz de cada cristão uma pessoa diferente da outra, e de todos juntos faz a unidade. O Espírito Santo é aquele que leva adiante, escancara as portas e convida a testemunhar Jesus. Ouvimos no início da missa: ‘Receberão o Espírito Santo e serão minhas testemunhas no mundo’. O Espírito Santo é aquele que nos impulsiona a louvar a Deus, nos induz a rezar: ‘Ele reza, em nós’. O Espírito Santo é aquele que está em nós e nos ensina a olhar para o Pai e dizer-lhe: Pai. Ele nos liberta da condição de órfão para a qual o espírito do mundo quer nos conduzir".
“O Espírito Santo é o protagonista da Igreja viva. É aquele que trabalha na Igreja”, frisou ainda Francisco. Porém, “quando não vivemos isso, quando não estamos à altura dessa missão do Espírito Santo, a fé corre o risco de se reduzir a uma moral ou uma ética”. Não devemos nos deter em cumprir os Mandamentos e “nada mais”: “Isso pode ser feito, isso não; até aqui sim, até lá não! Dali se chega à casuística e a uma moral fria”. 
Não tornar o Espírito Santo “prisioneiro de luxo”
A vida cristã, reiterou Francisco, “não é uma ética: é um encontro com Jesus Cristo”. E é o próprio Espírito Santo que “me leva a este encontro com Jesus Cristo”:
“Mas nós, em nossas vidas, temos em nossos corações o Espírito Santo como um ‘prisioneiro de luxo’: não deixamos que ele nos impulsione, não deixamos que nos movimente. Ele faz tudo, sabe tudo, sabe nos lembrar o que Jesus disse, sabe nos explicar as coisas de Jesus. Somente uma coisa o Espírito Santo não sabe fazer: 'cristãos de salão'. Isto ele não sabe fazer! Ele não sabe fazer 'cristãos virtuais'. Ele faz cristãos reais, Ele assume a vida real como ela é, com a profecia de ler os sinais dos tempos e assim nos levar avante. É o maior prisioneiro do nosso coração. Nós dizemos: ‘É a terceira Pessoa da Trindade e acabamos ali...".
Refletir sobre o que o Espírito Santo faz em nossas vidas
Esta semana, acrescentou o Papa, “nos fará bem refletir sobre o que o Espírito Santo faz em nossa vida” e perguntar-se se “ele nos ensinou o caminho da liberdade”. O Espírito Santo, que habita em mim, continuou Francisco, “pede-me para sair: tenho medo? Como é a minha coragem, que o Espírito Santo me dá para sair de mim mesmo, para dar testemunho de Jesus?” E ainda: “Como está a minha paciência nas provações? Porque o Espírito Santo também dá a paciência”:
“Nesta semana de preparação para a Festa de Pentecostes pensemos: “Realmente eu acredito ou é uma palavra, para mim, o Espírito Santo?’. E procuremos falar com ele e dizer: “Eu sei que estás no meu coração, que estás no coração da Igreja, que levas adiante a Igreja, que fazes a unidade entre nós, mas diferentes entre nós, na diversidade de todos nós”... diga-lhe todas essas coisas e peça a graça de aprender... mas praticamente na minha vida, o que Ele faz. É a graça da docilidade para com Ele: ser dócil ao Espírito Santo. Esta semana vamos fazer isso: pensemos no Espírito Santo, e falemos com ele”. 
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sexta-feira, 6 de maio de 2016


Sexta-feira, 6 de maio – na Missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que a dor vivida na esperança cristã abre-nos à alegria da vida. O Santo Padre referiu que o cristão não anestesia a dor mas vive-a na esperança.
No Evangelho do dia, Jesus, antes da Paixão, adverte os discípulos que serão tristes mas que esta tristeza mudará para um grito de alegria – disse o Papa – tal como a mulher na hora do parto que quando dá à luz “já não se lembra do sofrimento”.
“A dor é dor, mas vivida com alegria e esperança abre-te a porta à alegria de um fruto novo” – afirmou Francisco.
A alegria sem esperança é um simples divertimento e a esperança sem alegria não passa de otimismo – declarou o Santo Padre que afirmou que a alegria dá força à esperança:
“ A alegria faz forte a esperança e a esperança floresce na alegria. E assim vamos em frente. Mas ambas com esta atitude que a Igreja quer dar, estas virtudes cristãs, indicam um sair de nós mesmos. O alegre não se fecha em si mesmo…” – afirmou.
No final da Eucaristia o Papa Francisco pediu ao Senhor para que nos dê a graça de uma alegria grande que seja expressão da esperança. Uma alegria que inunde toda a Igreja.
Fonte:radio Vaticano
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domingo, 24 de abril de 2016


Cidade do Vaticano (RV) – Os jovens voltaram a se encontrar com o Papa Francisco este domingo (24/04), desta vez para a Santa Missa por ocasião do Jubileu dos Adolescentes.
O cenário para este encontro foi novamente a Praça S. Pedro, depois da maratona de confissões sábado pela manhã - ocasião em que Francisco confessou 16 moças e rapazes.  
Com a participação de cerca de 100 mil fiéis, a homilia do Pontífice foi inspirada no Evangelho do dia, no mandamento de Jesus aos discípulos, "amai-vos uns aos outros como eu vos ameis".
“O amor é a carteira de identidade do cristão, é o único ‘documento’ válido para sermos reconhecidos como discípulos de Jesus. Se este documento perde a validade e não for renovado, deixamos de ser testemunhas do Mestre”, disse Francisco, que reconheceu que amar não é fácil. É exigente e requer esforço, pois significa oferecer algo de nós mesmos: o próprio tempo, a própria amizade e as próprias capacidades. Não é o amor das novelas. É livre, porque não possui.
O segredo para amar é Jesus, acrescentou o Papa, que oferece o dom maior, um dom para a vida: Ele nos oferece uma amizade fiel, da qual nunca nos privará. A principal ameaça que impede de crescer como se deve é ninguém se importar conosco, é nos sentirmos deixados de lado. Ao contrário, o Senhor está sempre conosco. Ele no espera pacientemente e aguarda o nosso «sim».
A felicidade não é um 'app' no celular
Francisco falou ainda do desejo de liberdade que os adolescentes sentem. Ser livre, afirmou ele, não significa fazer aquilo que se quer, mas é o dom de poder escolher o bem: é livre procura aquilo que agrada a Deus, mesmo que nos obrigue a escolhas corajosas. Ser livre é saber dizer sim e não. “Não se contentem com a mediocridade, ficando cômodos e sentados; não confiem em quem os distrai da verdadeira riqueza, dizendo que a vida só é bela se possuir coisas. A felicidade não tem preço, nem se comercializa; não é um ‘aplicativo’ que se baixa no celular: nem a versão mais atualizada os ajudará a torná-los livres e grandes no amor.”
Com efeito, o amor é o dom livre de quem tem o coração aberto; é uma responsabilidade que dura toda a vida; é um compromisso diário, feito também de sonhos. "Ai dos jovens que não sabem sonhar. Se um jovem dessa idade não sonha, já está aposentado." Nutre-se de confiança, respeito e perdão. O amor não se realiza falando dele, mas o colocando em prática! Para crescer no amor, o segredo também é o Senhor. “Quando parecer difícil dizer não àquilo que é errado, ergam os olhos para a cruz de Jesus e não larguem a sua mão que os conduz para o alto”, indicou o Papa. Esta mão que, muitas vezes, pode ser a de um pai, de uma mãe ou de um amigo para não nos deixar caídos. "Deus nos quer em pé, sempre."
Treinar o amor
Mas também para amar é preciso treinamento, disse Francisco, como os campões esportivos, começando desde já com empenho e afinco. Como programa diário desse treinamento, o Papa sugeriu as obras de misericórdia. “Assim, se tornarão campeões de vida, campeões de amor, e serão reconhecidos como discípulos de Jesus. E a alegria será completa.”
Ao final da Missa, o Papa percorreu toda a Praça S. Pedro a bordo de seu papamóvel para saudar os fiéis.
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sexta-feira, 22 de abril de 2016


Cidade do Vaticano (RV) - Anúncio, intercessão, esperança. É o trinômio sobre o qual o Papa Francisco meditou na manhã desta sexta-feira (22/04) em sua homilia. O Pontífice ressaltou a figura do cristão como uma pessoa de esperança, “porque espera que o Senhor retorne”, e exortou também a termos coragem para anunciar, como os Apóstolos, que testemunharam a Ressurreição de Jesus, arriscando a vida.
Três dimensões da vida cristã: anúncio, intercessão e esperança”. O Papa se inspirou nas leituras do dia para refletir sobre este trinômio que deve marcar a vida de quem crê. O coração do anúncio, para os cristãos, é que Jesus morreu e ressuscitou por nós, por nossa salvação.
Anunciar Jesus a custo de dar a vida, como faziam os Apóstolos
“Jesus está vivo! Este – recordou – é o anúncio dos Apóstolos ais judeus e pagãos de seu tempo, e que foi testemunhado também com a sua vida, com o seu sangue”.
“Quando João e Pedro foram levados ao Sinédrio, depois da cura do paralítico, e os sacerdotes os proibiram de falar do nome de Jesus, da Ressurreição; eles, com toda a coragem e a simplicidade diziam: ‘Não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos, o anúncio. E nós, cristãos pela fé, temos o Espírito Santo dentro de nós, que nos faz ver e escutar a verdade sobre Jesus, que morreu por nossos pecados e ressuscitou. Este é o anúncio da vida cristã: Cristo é vivo! Cristo ressuscitou e está entre nós na comunidade, nos acompanha no caminho”.  
Muitas vezes, comentou, “fadigamos em receber este anúncio, mas Cristo ressuscitado é uma realidade e é necessário dar testemunho disso”, como afirma João. 
Jesus intercede por nós mostrando as Suas chagas ao Pai
Depois da dimensão do anúncio, Francisco dirigiu seu pensamento à intercessão. Durante a Ceia da Quinta-feira Santa, afirmou, os Apóstolos estavam tristes e Jesus lhes diz: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Vou preparar um lugar para vós”:
“Que isso quer dizer? Como Jesus prepara o lugar? Com a sua oração por cada um de nós. Jesus reza por nós e esta é a intercessão. Jesus trabalha neste momento com a sua oração por nós. Assim como disse a Pedro uma vez, “Pedro rezei por ti’, antes da Paixão, também agora Jesus é o intercessor entre o Pai e nós”.
Jesus é realmente a nossa esperança?
E como Jesus reza?, questionou Francisco, que responde: “Eu acredito que Jesus faça ver as chagas ao Pai, porque ele as levou consigo depois da Ressurreição: mostra as chagas ao Pai e nomeia cada um de nós”. Esta é a oração de Cristo, acrescentou. “Neste momento, Jesus intercede por nós: é a intercessão”. Por fim, o Papa falou da terceira dimensão do cristão: a esperança. “O cristão – disse ele – é uma mulher e um homem de esperança, que espera a volta do Senhor”. Toda a Igreja, prosseguiu, “aguarda a vinda de Jesus: Ele voltará. E esta é a esperança cristã”:
“Podemos nos perguntar, cada um de nós: como é o anúncio na minha vida? Como é a minha relação com Jesus que intercede por mim? E como é a minha esperança? Acredito realmente que o Senhor ressuscitou? Acredito que o Pai reza por mim? Toda vez que o chamo, Ele está rezando por mim, intercede. Acredito realmente que o Senhor voltará, virá? Nos fará bem perguntar isso sobre a nossa fé: acredito no anúncio? Acredito na intercessão? Sou um homem ou uma mulher de esperança?”
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quinta-feira, 21 de abril de 2016



O cristão deve sempre se recordar do modo e da circunstância em que Deus entrou em sua vida, porque isso reforça seu caminho de fé. Este foi o pensamento central do Papa Francisco na homilia da missa matutina celebrada quinta-feira, (21/04), na Casa Santa Marta.
A fé é um caminho que, enquanto se percorre, deve fazer memória constante daquilo que foi: das ‘coisas belas’ que Deus realizou ao longo do percurso, e também dos obstáculos e recusas, porque Deus – assegurou o Papa – “caminha conosco e não se assusta com nossas maldades”.
Fazer memória de Deus que salva
Francisco voltou a tocar um tema já abordado, inspirando-se na Primeira leitura do dia, em que Paulo entra, sábado, na sinagoga de Antioquia e começa a anunciar o Evangelho a partir dos primórdios do povo eleito; passando por Abraão e Moisés, o Egito e a Terra prometida, até chegar a Jesus. “É uma pregação histórica, a que os discípulos adotam, e é fundamental – sublinhou o Papa – porque consente recordar os momentos salientes e os sinais da presença de Deus na vida do homem”.
“Voltar atrás para ver como Deus nos salvou, percorrer – usando o coração e a mente – o caminho com a memória até chegar a Jesus. E foi o próprio Jesus, no momento maior de sua vida – Quinta e Sexta-feira, na Ceia -  a dar-nos o seu Corpo e o seu Sangue, dizendo ‘Façam isso em minha memória’. A memória de Jesus; ter na memória que Deus nos salvou”.
“O Senhor respeita”
A Igreja chama o Sacramento da Eucaristia de “memorial”, assim como – lembrou o Papa – o livro de Deuteronômio na Bíblia é o ‘Livro da memória de Israel’. Nós também – afirmou – devemos fazer o mesmo em nossa vida pessoal, porque cada um de nós percorre um caminho, acompanhado por Deus, perto de Deus, ou “afastado do Senhor”.
“Faz bem ao coração do cristão fazer memória do próprio caminho: como o Senhor me conduziu até aqui, como me trouxe, pelas mãos; e as vezes que eu disse ao Senhor ‘Afasta-te, não o quero’ e o Senhor respeitou. Ele é respeitoso! Fazer memória, recordar-se da própria vida e do próprio caminho; retomar isso e fazê-lo sempre. ‘Naquele tempo, Deus me deu aquela graça... eu respondi assim, fiz isso, aquilo... Ele me acompanhou...’. E assim, chegamos a um novo encontro, ao encontro da gratidão”.
Memória das coisas belas
Do coração – prosseguiu o Pontífice – deve nascer um ‘obrigado’ a Jesus, que nunca deixa de caminhar em nossa história. Quantas vezes – admitiu Francisco – nós lhe fechamos a porta na cara, quantas vezes fizemos de conta de não vê-lo, de não acreditar que Ele estava conosco. Quantas vezes renegamos a sua salvação...’ Mas Ele estava ali”.
“A memória nos aproxima de Deus. A memória daquela obra que Deus fez em nós; na recriação, na regeneração, que nos leva além do antigo esplendor de Adão na primeira criação. Eu lhes aconselho, simplesmente a fazer memória! Como foi a minha vida, como foi o meu dia hoje ou como foi este último ano? Memória. Como foi a minha relação com o Senhor. Memória das coisas belas, grandes, que o Senhor fez na vida de cada um de nós”. 

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terça-feira, 19 de abril de 2016


Terça-feira, 19 de abril – na Missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que um cristão que não se deixa atrair por Deus é órfão. O Santo Padre na sua homilia partiu da pergunta que os judeus fazem a Jesus na leitura do Evangelho do dia: “És tu o Messias?”
Esta é uma pergunta de um coração cego que os fariseus e os escribas repetem várias vezes a Jesus – observou o Papa que recordou as palavras de Jesus: “vós não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas”.
“ ‘Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos’. É precisamente o Pai que dá as ovelhas ao pasto. É o Pai que atrai os corações para Jesus” – disse Francisco.
Escribas e fariseus tinham uma dureza de coração que os impedia de reconhecer Jesus como Messias – explicou Francisco que os considera órfãos porque renegaram o Pai. “Eles falavam de Abraão, dos Patriarcas, mas como figuras distantes”. Nos seus corações eram órfãos – disse o Papa.
Podemos perceber a importância de nos deixarmos atrair por Deus das notícias que a primeira leitura deste dia nos revela: os pagãos que se abriam à fé em Cristo, graças à pregação dos discípulos – afirmou o Santo Padre que recordou no final da sua homilia que Jesus nos convida a sermos seus discípulos mas, para tal, devemos deixar-nos atrair pelo Pai.

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segunda-feira, 18 de abril de 2016


A porta, o caminho e a voz. O Pontífice se inspirou no Evangelho do dia – quase um “eco” do trecho sobre o Bom Pastor – para comentar três realidades determinantes para a vida do cristão. Antes de tudo, observou, Jesus adverte que “quem não entra no redil das ovelhas pela porta é um ladrão e salteador”. Cristo é a porta. Não existe outra, afirmou Francisco.
“Jesus – prosseguiu ele – sempre falava para as pessoas com imagens simples: toda aquela gente conhecia como era a vida de um pastor, porque a via todos os dias”. E entenderam que “se entra no redil das ovelhas somente pela porta”. Os que querem entrar por outra parte, pelo contrário, são delinquentes:
“O senhor fala tão claro. Não se pode entrar na vida eterna por outra porta que não seja A porta, isto é, Jesus. É a porta da nossa vida e não somente da vida eterna, mas também da nossa vida quotidiana. Esta decisão, por exemplo, eu a tomo em nome de Jesus ou a tomo – digamos numa linguagem simples – de contrabando? No redil se entra somente pela porta, que é Jesus!”
 “Jesus, prosseguiu, fala sobre o caminho”. O Pastor conhece as suas ovelhas e as conduz para fora: “Caminha diante delas e as ovelhas o seguem”. “O caminho é este”, disse o Papa, seguir Jesus no “caminho da vida, da vida de todos os dias”. Não se pode errar, “Ele está diante e nos indica o caminho”:
“Quem segue Jesus não erra! Mas Padre, as coisas são difíceis. Muitas vezes eu não vejo claro o que fazer. Disseram-me que lá havia uma vidente e eu fui lá. Fui à cartomante que me mostrou as cartas. Se você faz isso, você não segue Jesus! Segue outro que lhe mostra outra estrada, diferente. Ele adiante indica o caminho. Não há outro que possa indicar a estrada. Jesus nos avisou: “Virão outros que dirão: o caminho do Messias é este. Não os escuteis! Eu sou o caminho! Jesus é a porta e também a estrada. Se seguirmos Jesus não erraremos.”
Francisco se deteve na voz do Bom Pastor. “As ovelhas o seguem porque conhecem a sua voz”, disse o Pontífice. “Mas podemos conhecer a voz de Jesus”, perguntou o Papa, e também nos defender “da voz daqueles que não são Jesus, que entram pela janela, que são bandidos, que destroem, que enganam”?
“Eu lhe direi a receita, simples. Você encontrará a voz de Jesus nas Bem-aventuranças. Alguém que lhe ensine um caminho contrário às Bem-aventuranças é uma pessoa que entrou pela janela: não é Jesus! Segundo ponto: Você conhece a voz de Jesus? Você pode conhecê-la quando nos fala das obras de misericórdia. Por exemplo, no capítulo 25 de São Mateus: “Se uma pessoa lhe diz aquilo que Jesus diz ali é a voz de Jesus. E terceiro: Você pode conhecer a voz de Jesus quando ele lhe ensina a dizer Pai, ou seja, quando lhe ensina a rezar o Pai Nosso.”
“É tão fácil a vida cristã”, comentou o Papa. Jesus é a porta. Ele nos guia no caminho e nós conhecemos a sua voz nas Bem-aventuranças, nas obras de misericórdia e quando nos ensina a dizer Pai. Lembrem-se! Ele é a porta, o caminho e a voz. Que o Senhor nos ajude a entender esta imagem de Jesus, este ícone: o Pastor, que é a porta, indica o caminho e nos ensina a ouvir a sua voz. 

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terça-feira, 12 de abril de 2016

Terça-feira, 12 de abril – na Missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que as perseguições são o pão-nosso de cada dia da Igreja. Umas são violentas, outras são mais educadas e baseadas em leis.
O que aconteceu a Estevão e é descrito pela liturgia do dia na leitura dos Atos dos Apóstolos, também hoje acontece a tantos mártires que são mortos pela sua fé em Cristo – declarou o Santo Padre na sua homilia: “A perseguição é o pão-nosso de cada dia da Igreja”.
Francisco observou ainda que quando fazemos turismo em Roma e “vamos ao Coliseu”, pensamos que os mártires eram aqueles “mortos com os leões”. Mas os mártires – continuou o Papa – “são homens e mulheres de todos os dias” como aqueles “cristãos que festejavam a Páscoa no Paquistão foram martirizados”.
Existem perseguições sanguinárias, como quando alguém faz explodir uma bomba na saída de uma Missa – disse o Santo Padre – mas também há outras, fantasiadas de modernidade e de progresso, e que se realizam através de leis. Uma perseguição – disse Francisco – que podemos chamar “um pouco ironicamente” de “educada”: é a “perseguição que tira ao homem a liberdade, também a de objeção de consciência”.
O Papa concluiu a sua homilia recordando que a vida dos cristãos continua e segue em frente, não obstante estas perseguições, porque o Senhor estará sempre connosco.
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quarta-feira, 6 de abril de 2016


04/04/2016
A solenidade da Anunciação do Senhor é a celebração do grande mistério cristão da Encarnação do Verbo de Deus. A data de 25 de março está em função do Nascimento de Jesus, que é celebrado exatamente nove meses depois. Mas, como este ano o dia 25 caiu na Sexta-feira Santa, a Igreja transferiu a solenidade para depois das festas pascais, ou seja, dia 4 de abril, segunda-feira após o Domingo da Misericórdia.  A catequese sempre fez coincidir a Anunciação e a Encarnação. Estes mistérios começaram a ser celebrados liturgicamente, provavelmente depois da edificação da basílica constantiniana sobre a casa de Maria, em Nazaré, no século IV. A celebração no Oriente e no Ocidente data do século VII. Durante séculos, esta solenidade teve, sobretudo, caráter mariano. Mas o Beato Paulo VI, após o Concílio Vaticano II, devolveu-lhe o título de “Anunciação do Senhor”, repondo o seu caráter predominantemente cristológico. Em síntese, trata-se de uma “celebração (que) era e é festa de Cristo e da Virgem: do Verbo que se torna filho de Maria, e da Virgem que se torna Mãe de Deus”. (Marialis cultus 6).
Neste dia, a Igreja festeja solenemente o anúncio da Encarnação do Filho de Deus. O tema central desta grande festa é o Verbo Divino, que assume nossa natureza humana, sujeitando-se ao tempo e espaço. Com alegria contemplamos o mistério do Deus Todo-Poderoso, que, na origem do mundo, cria todas as coisas com sua Palavra, porém, desta vez escolhe depender da Palavra de um frágil ser humano, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Filho Redentor: “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem e disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo’! Não temas, Maria, conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso, pois não conheço homem’? Respondeu-lhe o anjo: ‘O Espírito Santo descerá sobre ti’. Então disse Maria: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tu palavra’” (cf. Lc 1,26-38).
Esse é o dia de proclamarmos: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14a). E fazermos memória do início oficial da Redenção de todos, devido à plenitude dos tempos. É o momento histórico, em que o SIM do Filho ao Pai precedeu o da Mãe: “Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10,7). Mas não suprimiu o necessário SIM humano da Virgem Santíssima.
Celebrar a Festa da Anunciação do Senhor é celebrar o “fiat” (faça-se) da Virgem Maria, que pôs fim à espera de Adão, de Abraão, de Davi, de todos os Patriarcas e Profetas e também a nossa, pois estávamos esmagados pela sentença da condenação. Todos esperavam a resposta de Maria porque é dela que “depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão”. Nesse sentido, o sermão de São Bernardo sobre o tema coloca muito bem essa expectativa.
No Credo Niceno-Constantinopolitano professamos: “…Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus; e Se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem…”. A Tradição da Fé recebida durante os séculos nos ensina que Maria, a Virgem de Sião, concebeu o “Logos” (Verbo) incriado em seu ventre, ou seja, o Filho de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos, se fez carne no ventre da Virgem Maria, que O concebeu antes de tudo em seu coração por meio do seu “Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Maria torna-se mãe através de seu “sim”. É pela escuta que a Palavra entra nela e a torna fecunda.
O mistério celebrado hoje é a conceição do Filho de Deus no seio da Virgem Maria. Na basílica nazaretana da Anunciação, diante do altar há uma placa de mármore que os peregrinos beijam com emoção, e onde está escrito: “Aqui de Maria Virgem fez-se carne o Verbo”. No texto da Carta aos Hebreus, o hagiógrafo refere ou interpreta a anunciação de Cristo; no texto de Lucas, o evangelista narra a anunciação a Maria. Cristo toma a iniciativa de declarar aquilo que Ele mesmo compreende; Maria recebe uma palavra que vem de fora de si mesma, uma palavra cheia de propostas de um Outro. O paralelismo transforma-se em coincidência na explicitação da disponibilidade de ambos para fazerem a vontade divina; é uma disponibilidade separada por qualidade e quantidade de consciência, mas que converge na finalidade de obediência total ao projeto de Deus: “Ecce venio, ecce ancilla”, eis que venho! Eis a serva! A atitude de obediência irá aproximar a mãe e o filho, Maria “anunciada” e Jesus Cristo “anunciado”. Ambos pronunciam o seu “Eis-me aqui”!
Cumprindo desta maneira a profecia de Isaías: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7,14). Então, rezemos com toda a Igreja: “Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo”.

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terça-feira, 5 de abril de 2016

cristão seja homem do “sim”

O Pontífice dedicou a sua homilia à hodierna solenidade da Anunciação do Senhor, celebrada no Vaticano. Aliás, disse ele, a história da humanidade foi feita de uma “corrente” de “sim” a Deus, à esperança do Senhor, a partir de Abraão e Moisés.
Abraão obedece ao Senhor, aceita o seu chamamento e parte da sua terra sem saber onde chegaria. Isaías, quando o Senhor lhe pede que fale a seu povo, responde que tem os “lábios impuros”. Então o Senhor purifica os seus lábios e Isaías diz "sim!". O mesmo vale para Jeremias, que se considerava incapaz de falar, mas depois diz “sim" ao Senhor:
 “E hoje, o Evangelho nos fala do fim desta corrente do sim, e do início de outro “sim”, que começa a crescer: o ‘sim’ de Maria. E este ‘sim’ faz com que Deus não somente olhe para o homem, não somente caminhe com o seu povo, mas que se faça um de nós e tome a nossa carne. O ‘sim’ de Maria que abre a porta ao sim de Jesus: ‘Eu venho para fazer a Tua vontade’, este ‘sim’ que acompanha Jesus toda a vida, até à Cruz”.
Francisco se detém no sim de Jesus que pede ao Pai para afastar dele o cálice, mas acrescenta: “Seja feita a tua vontade”. Em Jesus Cristo “está o sim de Deus: Ele é o sim”.
“Este é um dia bonito para agradecer ao Senhor por nos ter ensinado este caminho do sim, mas também para pensar na nossa vida”, disse o Pontífice. Um pensamento que o Papa dirige em particular a alguns sacerdotes presentes, que celebram 50 anos de ordenação.
 “Todos nós, todos os dias, devemos dizer sim ou não e pensar se sempre dizemos sim ou se muitas vezes nos escondemos, com a cabeça baixa, como Adão e Eva, para não dizer não, mas fazer como aquele que não entende, que não entende o que Deus pede. Hoje, é a festa do sim. No sim de Maria se encontra o sim de toda a História da Salvação e começa ali o último sim do homem e de Deus.”
Ali, acrescentou o Papa, “Deus recria, como no início que com um sim fez o mundo e o homem, aquela Criação bonita” e agora com este sim “maravilhoso recria o mundo, recria todos nós. É o sim de Deus que nos santifica, que nos faz ir adiante em Jesus Cristo”:
“É um dia para agradecer ao Senhor e nos perguntar: Sou homem ou mulher do sim, ou sou homem ou mulher do não, ou sou homem ou mulher que olha para o outro lado para não responder? Que o Senhor nos dê a graça de entrar neste caminho de homens e mulheres que souberam dizer sim.” (BS/BF/MJ)
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